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30 de Setembro de 2009
Clipping - Jornal Nacional (Rede Globo) - Presa quadrilha que criava documentos falsos
Durante um mês, os repórteres do JN acompanharam a ação de uma quadrilha que criava documentos como identidade, título de eleitor e CPF para uma pessoa que não existe, e vendia talões de cheques.
Esta reportagem é resultado da investigação que uma equipe do Jornal Nacional fez no interior de São Paulo. Durante um mês, nossos repórteres acompanharam a ação de uma quadrilha que criava documentos e vendia talões de cheques.
Os bandidos chegaram a fornecer carteira de identidade, título de eleitor e CPF para uma pessoa que não existe. Nesta terça, a polícia prendeu três pessoas da quadrilha.
Talões e talões de cheques. Ao todo 190 folhas em branco, que a quadrilha vendia por sessenta reais cada uma. A quantidade impressionou a polícia federal, procuradores e promotores do ministério público.
Toda a negociação acontecia em uma casa perto do Centro de São José do Rio Preto.
Acompanhamos a ação da quadrilha durante o último mês, usando uma câmera escondida. Uma pessoa se fez passar por um empresário interessado em conseguir documentos com um novo nome.
No primeiro dia , o contato é com o homem que se identifica como "Carlão". Ele diz quais os documentos que podem ser obtidos.
Carlão - CIC, RG, título de eleitor e reservista.
No segundo contato, a pessoa que se passa por um empresário leva um contrato de compromisso de compra e venda de um imóvel que não existe, para tentar conseguir uma autenticação.
Produtor - Contratinho de compra e venda.
Carlão - Uma via só?
Produtor - Quanto você faz?
Carlão " R$ 150. Daqui uma hora tá pronto.
Carlão cumpre o prazo e entrega o contrato com o carimbo e o selo de um cartório de registro civil.
Mais um dia de contato. Desta vez, dentro da casa. Agora é para o pedido de vários documentos para que o suposto empresário, passe a existir.
Carlão - Qualquer nome que quiser. Qualquer nome parecido, para não confundir. Entendeu? Pra ser mais fácil.
Durante a conversa a movimentação é intensa na casa. Outras pessoas entram, pegam documentos e saem.
Segundo Carlão, o local funciona há 20 anos na cidade. "Eu conheço todo mundo da Polícia Civil. Eu conheço todo mundo. Não, eu não conheço, eles é que me conhecem."
Produtor - Mas você não cai por quê?
Carlão - Só com a polícia já gastei mais de R$ 40 mil. Tem que pagar. Quer trabalhar? Tem que pagar.
O suposto empresário paga R$ 1,77 mil e recebe os documentos, das mãos de uma pessoa ligada a Carlão, conhecida como Espanhol.
Um nome inventado passa a existir com documentos suficientes para abrir conta em bancos, fazer financiamentos, crediários e até abrir uma empresa.
O RG está num papel que tem o carimbo de um delegado e também número de série da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo. A digital que está no documento não é da pessoa que se passou pelo empresário.
O título de eleitor está num papel com marca d´água. Comprovamos pelo site do tribunal Superior eleitoral que o nome inventado já está cadastrado e tem até a zona eleitoral para votar.
Espanhol entregou também um protocolo para a retirada do CPF. No site da Receita Federal, confirmamos a inscrição e o número do CPF. Nesta terça, Espanhol e duas pessoas foram presas. Mas Carlão está foragido.
Os documentos obtidos pela nossa produção durante a reportagem foram entregues a polícia. Agora o Ministério Público vai aprofundar a investigação para saber se eles foram feitos com papéis verdadeiros.
"Se ficar comprovada a veracidade dos documentos, fica comprovada também a participação de agentes públicos, o que é muito grave", disse o promotor.
O comando da Polícia Civil em São José do Rio Preto informou que a denúncia do suposto envolvimento de policiais no esquema será investigada pela corregedoria.
Veja aqui a matéria publicada pelo Jornal Nacional.
Esta reportagem é resultado da investigação que uma equipe do Jornal Nacional fez no interior de São Paulo. Durante um mês, nossos repórteres acompanharam a ação de uma quadrilha que criava documentos e vendia talões de cheques.
Os bandidos chegaram a fornecer carteira de identidade, título de eleitor e CPF para uma pessoa que não existe. Nesta terça, a polícia prendeu três pessoas da quadrilha.
Talões e talões de cheques. Ao todo 190 folhas em branco, que a quadrilha vendia por sessenta reais cada uma. A quantidade impressionou a polícia federal, procuradores e promotores do ministério público.
Toda a negociação acontecia em uma casa perto do Centro de São José do Rio Preto.
Acompanhamos a ação da quadrilha durante o último mês, usando uma câmera escondida. Uma pessoa se fez passar por um empresário interessado em conseguir documentos com um novo nome.
No primeiro dia , o contato é com o homem que se identifica como "Carlão". Ele diz quais os documentos que podem ser obtidos.
Carlão - CIC, RG, título de eleitor e reservista.
No segundo contato, a pessoa que se passa por um empresário leva um contrato de compromisso de compra e venda de um imóvel que não existe, para tentar conseguir uma autenticação.
Produtor - Contratinho de compra e venda.
Carlão - Uma via só?
Produtor - Quanto você faz?
Carlão " R$ 150. Daqui uma hora tá pronto.
Carlão cumpre o prazo e entrega o contrato com o carimbo e o selo de um cartório de registro civil.
Mais um dia de contato. Desta vez, dentro da casa. Agora é para o pedido de vários documentos para que o suposto empresário, passe a existir.
Carlão - Qualquer nome que quiser. Qualquer nome parecido, para não confundir. Entendeu? Pra ser mais fácil.
Durante a conversa a movimentação é intensa na casa. Outras pessoas entram, pegam documentos e saem.
Segundo Carlão, o local funciona há 20 anos na cidade. "Eu conheço todo mundo da Polícia Civil. Eu conheço todo mundo. Não, eu não conheço, eles é que me conhecem."
Produtor - Mas você não cai por quê?
Carlão - Só com a polícia já gastei mais de R$ 40 mil. Tem que pagar. Quer trabalhar? Tem que pagar.
O suposto empresário paga R$ 1,77 mil e recebe os documentos, das mãos de uma pessoa ligada a Carlão, conhecida como Espanhol.
Um nome inventado passa a existir com documentos suficientes para abrir conta em bancos, fazer financiamentos, crediários e até abrir uma empresa.
O RG está num papel que tem o carimbo de um delegado e também número de série da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo. A digital que está no documento não é da pessoa que se passou pelo empresário.
O título de eleitor está num papel com marca d´água. Comprovamos pelo site do tribunal Superior eleitoral que o nome inventado já está cadastrado e tem até a zona eleitoral para votar.
Espanhol entregou também um protocolo para a retirada do CPF. No site da Receita Federal, confirmamos a inscrição e o número do CPF. Nesta terça, Espanhol e duas pessoas foram presas. Mas Carlão está foragido.
Os documentos obtidos pela nossa produção durante a reportagem foram entregues a polícia. Agora o Ministério Público vai aprofundar a investigação para saber se eles foram feitos com papéis verdadeiros.
"Se ficar comprovada a veracidade dos documentos, fica comprovada também a participação de agentes públicos, o que é muito grave", disse o promotor.
O comando da Polícia Civil em São José do Rio Preto informou que a denúncia do suposto envolvimento de policiais no esquema será investigada pela corregedoria.
Veja aqui a matéria publicada pelo Jornal Nacional.