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08 de Janeiro de 2010

Jornal Nacional retrata a destruição em São Luís do Paraitinga (SP)

Clique aqui e veja a reportagem do Jornal Nacional.

Nesta quarta-feira (06.01), a Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado de São Paulo (Arpen-SP) participou de gravação do Jornal Nacional, da Rede Globo de Televisão, que focou a tragédia ocorrida na cidade de São Luiz do Paraitinga (SP), na região do Vale do Paraíba.

Reportagem

São Luiz do Paraitinga: 300 construções danificadas

A enchente destruiu livros históricos, que guardavam os principais registros da população. O governador José Serra foi nesta quarta à cidade e anunciou medidas de emergência.

O Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo divulgou nesta quarta um relatório sobre a destruição na cidade de São Luiz do Paraitinga, no Vale do Paraíba.

Pelo menos 300 construções foram danificadas na enchente. Das 80 históricas já avaliadas, metade terá que passar por obras de restauração.

O cartório itinerante enviado à cidade se transformou numa oficina de restauração. A enchente destruiu livros históricos, que guardavam os principais registros da população.

Escrituras de terrenos, contratos de compra e venda, certidões que marcam a vida dos moradores desde o século XIX, tudo na calçada, apagado pela lama.

"Toda a documentação, os registros de nascimento, casamento, óbito. Então parte da cidadania se perdeu aqui no meu cartório", lamentou Lara Lemucchi, oficial titular do cartório.


"Parece que a gente não existe. Infelizmente, não sei o que vai ser da gente", disse uma mulher.

O governador José Serra foi nesta quarta à cidade e anunciou medidas de emergência, entre elas obras da CDHU, a Companhia de Habitação do Estado.

"A CDHU pretende construir 100 moradias para abrigar moradores que ficaram fora e emergência e ao mesmo tempo abrir linhas de financiamento para reforma, reconstrução para famílias de um até dez salários mínimos".

Essa foi a maior enchente já registrada na história de São Luiz do Paraitinga, segundo a Defesa Civil. Para se ter uma ideia, a água do rio chegou numa sacada a mais de 15 metros acima do leito.

Problemas semelhantes não são tão raros na cidade. Há quase dois anos, o Rio Paraitinga subiu quatro metros acima do nível e inundou as casas e ruas da parte mais baixa.

Os meteorologistas dizem que a enchente da virada deste ano foi uma consequência de um fenômeno que atingiu o Sudeste.

Um sistema de baixa pressão se formou perto do litoral. O ar se movimentou de baixo para cima ajudando na formação de muitas nuvens. Uma faixa de umidade que vinha desde a Amazônia se juntou a essas nuvens e o resultado foi muita chuva.

O município foi fundado em 1769, mas foi no século XIX que a cidade se desenvolveu com a produção de café. Dessa época, surgiram muitos casarões, que foram preservados com o tempo e chamaram a atenção do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Agora, a cidade que concentra o maior número de construções tombadas no estado tenta se reerguer.

"A gente não tem mais cidade na verdade. A gente está vendo essas coisas, mas a gente não tem mais nada, a gente perdeu tudo", afirmou a dona de casa Laura Aparecida da Rocha.

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