Notícias

10 de Janeiro de 2010

Clipping - Fantástico - São Luiz do Paraitinga quase some do mapa com a força das águas

Clique aqui e veja a reportagem do Fantástico.

Cidade de São Paulo conservava o maior conjunto arquitetônico tombado pelo Patrimônio Histórico do estado de São Paulo.
Uma manhã como tantas outras no interior de São Paulo. Na praça, gente sentada no banco, batendo prosa. A dona de restaurante Tereza Mota caminha ao lado de uma das filhas. E bem em frente ao coreto, a igreja matriz da cidade.

Feita do mesmo ângulo, a imagem hoje mostra a igreja que desabou. Na parte de trás, carros que estavam estacionados na rua ficaram empilhados. O que era a principal rua de comércio da cidade, onde ficavam restaurantes, padarias, supermercados e açougue agora é um monte de entulho.

O Fantástico foi até São Luiz do Paraitinga para mostrar como está a vida dos 10 mil habitantes depois da pior enchente da história cidade.

Aos 70 anos, com 11 filhos, hoje dona Tereza está tomando conta da neta e da bisneta. Mas o que gosta mesmo de fazer é pastel. A receita da massa de farinha de milho já foi até estrela do programa "Mais Você", de Ana Maria Braga.

O Fantástico convidou dona Tereza para fazer o percurso que ela faz há 28 anos todas as manhãs: ir até o mercado, onde tem um restaurante.

"Quando meu avô era vivo, contou que uma enchente tinha alagado as ruas quase até a porta da igreja. Ele disse que nós ainda veríamos aquilo. Já faz quase cem anos, mas nós vimos", diz dona Tereza.

São Luiz do Paraitinga já foi cenário de filmes, porque conservava o maior conjunto arquitetônico tombado pelo Patrimônio Histórico do estado de São Paulo. Agora, debaixo de tanto entulho, restaram poucas peças intactas. Um Rei Mago do presépio foi lavado em uma poça d'água.

Além da montanha de lama que cobre todos os produtos que estavam dentro de um supermercado, o que chamada muito a atenção é o cheiro.

Em frente à única igreja que sobrou de pé na cidade, uma fila de voluntários se organiza porque muitas cestas básicas chegam das cidades da região. "Comerciantes, empresários, prefeituras, o povo está mobilizado", conta um voluntário.

"Um separa o feijão, outro esquenta a água, outro faz o molho, outro serve", conta um morador.

"O que estou vivendo aqui, podendo fazer alguma coisa, não vou aprender em outro lugar. Posso passar anos estudando que não vou sentir a gratidão do povo", diz uma jovem.

Todo mundo sempre será grato àqueles que arriscaram a própria vida para garantir que ninguém morresse na enxurrada.

"Naquela imensidão de água, no silêncio da madrugada, aquele grito que perguntava 'tem alguém aí?' ecoava como no filme 'Titanic'", conta uma moradora.

"Foi um trabalho muito bom. Primeiro porque não conhecíamos a cidade, pois trabalhamos em outra. Segundo porque não conhecíamos todos moradores. Então, éramos direcionados para as residências para que pudéssemos fazer algum resgate com mais afinco", diz o sargento Cristiano, do Corpo de Bombeiros.

"Vamos reconstruir tudo de novo - de grão em grão, de tijolo em tijolo, de telha em telha, de coração em coração", afirma um morador.

Assine nossa newsletter