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29 de Junho de 2010

Com cartórios destruídos, alagoanos terão de provar quem são

As vítimas das enchentes de pelo menos oito cidades alagoanas vão ter que se esforçar não só para recomeçar a vida, mas também para provar quem realmente são perante o Estado.

Segundo balanço da Anoreg (Associação de Notários e Registradores), oito municípios tiveram perda parcial ou total nos cartórios. Como nessas mesmas cidades milhares de pessoas foram atingidas pelas enchentes e perderam seus documentos, elas terão que arrumar provas e testemunhas que comprovem seus dados pessoais, como nome, idade, filiação e até mesmo escolaridade.

A situação é vista com preocupação pela presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas, Elisabeth Carvalho, que já foi informada da situação. As pessoas que perderam suas certidões e precisarem de uma segunda via terão que provar seus nomes, filiação, data da nascimento. Será preciso apresentar testemunhas que comprovem os dados, por exemplo. Nas cidades onde o livro de registro foi perdido, e não há como ter informações, é inevitável o transtorno às pessoas , afirmou.

Perdas A presidente do TJ Elizabeth Carvalho informou ainda que duas comarcas da Justiça foram atingidas pelas cheias. Em Quebrangulo, houve a perda de todos os documentos, enquanto em Paulo Jacinto eles foram atingidos pela água apenas. Já acionei o projeto Integrar [do Conselho Nacional de Justiça] para tentar recuperar esses documentos , disse.

Moradora de Rio Largo, Izabel Cristina, 42, perdeu tudo durante a enchente do rio Mundaú - inclusive os documentos. Quando a água veio, não deu tempo de salvar nada. Só a roupa do corpo. Só estou vivendo porque estão me ajudando, não tenho nem identidade mais , afirmou.

Mortos chegam a 54 São Paulo (AF) - As fortes chuvas que atingem parte da região Nordeste desde o dia 18 de junho já provocaram a morte de 54 pessoas e fizeram mais de 150 mil pessoas deixarem suas casas. As duas últimas mortes confirmadas são de uma criança de 2 anos e um homem de 34, nas cidades de Recife e de Gameleira -ambas em PE.

Além das mortes, a Defesa Civil do Estado registra ainda 12 cidades em estado de calamidade pública e outras 27 em estado de emergência. Além disso, o Estado tem 26.966 desabrigadas e outras 55.643 estão desalojadas.

As cidades em calamidade são: Água Preta, Barra de Guabiraba, Barreiros, Correntes, Cortês, Jaqueira, Palmares, São Benedito do Sul, Vitória de Santo Antão, Primavera, Catende e Maraial.

Já em Alagoas, as chuvas provocaram 34 mortes e deixaram 76 desaparecidos. Cerca de 75 mil tiveram que deixar suas casas.

Na semana passada, o Estado de Alagoas chegou a divulgar um levantamento parcial em que apontava que os prejuízo causados pelas chuvas já totalizavam cerca de R$ 740 milhões. Desse valor, R$ 575 milhões correspondem aos prejuízos relacionados a danos em casas.

Fonte: Redação Painel Notícias|Brasil| BR

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