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26 de Julho de 2004
Clipping - Revista Época: "Eles querem se casar"
Pesquisa realizada com universitários cariocas revela que a juventude idealiza o matrimônio
Músico e estudante de Medicina, o carioca João Paulo Gonçalves, de 22 anos, tem um sonho: achar a mulher da sua vida, casar no Mosteiro de São Bento, ter um casal de filhos e ficar com ela para o resto da vida. Acha que não será difícil. 'É uma questão de escolher bem', filosofa. Mesmo depois de ver seus pais se separar quando ele tinha 10 anos, o estudante crê que sua história será diferente. 'Eles casaram cedo demais, era outro tempo', diz. João Paulo está afinado com sua geração. Pesquisa recém-concluída do Departamento de Psicologia da PUC-RJ mostra que jovens de 20 a 22 anos são mais otimistas em relação ao casamento do que se imaginava. A intenção de passar o resto da vida com a mesma pessoa é de 75,6%, contra 66% nove anos atrás. Mesmo entre filhos de pais separados, o porcentual é alto. 'O fato de meus pais terem se separado aumenta minha vontade de dar certo', diz João Paulo, que acaba de terminar um namoro de três anos.
Para o psicólogo Bernardo Jablonski, chefe do grupo de pesquisa, o otimismo surpreende diante do índice de divórcios. 'É uma espécie de esquizofrenia social', diz. Para o grupo, um dos motivos é que o modelo social de felicidade continua pressupondo o casamento - embora o padrão, hoje, seja a monogamia serial, com cada pessoa trocando de relacionamento à medida que o anterior se esgotou. 'Não há na sociedade formas de relacionamento que substituam a tradicional como opção de realização', diz Jablonski. Novelas e filmes sempre terminam com a subida ao altar. 'A pessoa pode até ser feliz em outro modelo, mas é estigmatizada. Mulher solteira é chata. Homem solteiro é gay ou esquisito', diz. Para a antropóloga Mirian Goldenberg, 'não há fantasia maior, alimentada por contos de fada, desenhos, filmes, novelas e romances, que a felicidade no casamento'. No caso de jovens de adolescência prolongada, que vivem de forma cada vez mais individualista, sem concessões ao outro - já que o tempo de convivência familiar é cada vez menor -, a idéia do casamento eterno parece ainda mais deslocada.
As raízes de parte das separações aparecem na própria pesquisa. Quando se trata de infidelidade, 23,7% dos rapazes dizem que homens podem trair (só 8,3% acham que a mulher pode). Na pergunta 'O que faz durar um casamento?', feita na pesquisa de 1993, sexo ficou em terceiro lugar para os homens e em quinto para as mulheres. Em 2003, ficou em quinto lugar para homens e em sexto para mulheres. 'Isso mostra que, para os jovens, casamento é mais questão de acordo que de paixão', diz Jablonski, que destaca outro dado da pesquisa: 26% das entrevistadas se declararam virgens. O grupo não acredita que seja mentira - é mais fácil uma jovem de 20 anos dizer que não é mais virgem que o contrário. Estudante de Serviço Social, Isabella Ribeiro Portela, de 20 anos, não tem vergonha de declarar sua condição. Ela diz que a questão não é moral. Nunca teve um namoro sério e gostaria de que sua primeira vez fosse com alguém por quem estivesse apaixonada. Casar também está nos planos de Isabella. 'Nunca me imaginei sozinha no futuro. Quero altar, festa e depois filhos e acima de tudo fidelidade', diz.
O sonho da troca de alianças
Os achados surpreendentes da pesquisa realizada com universitários entre 20 e 22 anos, no Rio de Janeiro
Intenção de casar nos próximos dez anos: 86
Acha que o casamento vai durar para sempre (filhos de pais casados): 77%
Acha que o casamento vai durar para sempre (filhos de pais separados): 71%
Fonte: Revista Época - 26 de julho de 2004
Autor: Martha Mendonça
Músico e estudante de Medicina, o carioca João Paulo Gonçalves, de 22 anos, tem um sonho: achar a mulher da sua vida, casar no Mosteiro de São Bento, ter um casal de filhos e ficar com ela para o resto da vida. Acha que não será difícil. 'É uma questão de escolher bem', filosofa. Mesmo depois de ver seus pais se separar quando ele tinha 10 anos, o estudante crê que sua história será diferente. 'Eles casaram cedo demais, era outro tempo', diz. João Paulo está afinado com sua geração. Pesquisa recém-concluída do Departamento de Psicologia da PUC-RJ mostra que jovens de 20 a 22 anos são mais otimistas em relação ao casamento do que se imaginava. A intenção de passar o resto da vida com a mesma pessoa é de 75,6%, contra 66% nove anos atrás. Mesmo entre filhos de pais separados, o porcentual é alto. 'O fato de meus pais terem se separado aumenta minha vontade de dar certo', diz João Paulo, que acaba de terminar um namoro de três anos.
Para o psicólogo Bernardo Jablonski, chefe do grupo de pesquisa, o otimismo surpreende diante do índice de divórcios. 'É uma espécie de esquizofrenia social', diz. Para o grupo, um dos motivos é que o modelo social de felicidade continua pressupondo o casamento - embora o padrão, hoje, seja a monogamia serial, com cada pessoa trocando de relacionamento à medida que o anterior se esgotou. 'Não há na sociedade formas de relacionamento que substituam a tradicional como opção de realização', diz Jablonski. Novelas e filmes sempre terminam com a subida ao altar. 'A pessoa pode até ser feliz em outro modelo, mas é estigmatizada. Mulher solteira é chata. Homem solteiro é gay ou esquisito', diz. Para a antropóloga Mirian Goldenberg, 'não há fantasia maior, alimentada por contos de fada, desenhos, filmes, novelas e romances, que a felicidade no casamento'. No caso de jovens de adolescência prolongada, que vivem de forma cada vez mais individualista, sem concessões ao outro - já que o tempo de convivência familiar é cada vez menor -, a idéia do casamento eterno parece ainda mais deslocada.
As raízes de parte das separações aparecem na própria pesquisa. Quando se trata de infidelidade, 23,7% dos rapazes dizem que homens podem trair (só 8,3% acham que a mulher pode). Na pergunta 'O que faz durar um casamento?', feita na pesquisa de 1993, sexo ficou em terceiro lugar para os homens e em quinto para as mulheres. Em 2003, ficou em quinto lugar para homens e em sexto para mulheres. 'Isso mostra que, para os jovens, casamento é mais questão de acordo que de paixão', diz Jablonski, que destaca outro dado da pesquisa: 26% das entrevistadas se declararam virgens. O grupo não acredita que seja mentira - é mais fácil uma jovem de 20 anos dizer que não é mais virgem que o contrário. Estudante de Serviço Social, Isabella Ribeiro Portela, de 20 anos, não tem vergonha de declarar sua condição. Ela diz que a questão não é moral. Nunca teve um namoro sério e gostaria de que sua primeira vez fosse com alguém por quem estivesse apaixonada. Casar também está nos planos de Isabella. 'Nunca me imaginei sozinha no futuro. Quero altar, festa e depois filhos e acima de tudo fidelidade', diz.
O sonho da troca de alianças
Os achados surpreendentes da pesquisa realizada com universitários entre 20 e 22 anos, no Rio de Janeiro
Intenção de casar nos próximos dez anos: 86
Acha que o casamento vai durar para sempre (filhos de pais casados): 77%
Acha que o casamento vai durar para sempre (filhos de pais separados): 71%
Fonte: Revista Época - 26 de julho de 2004
Autor: Martha Mendonça