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16 de Agosto de 2011

Araranguá registra primeiro casamento entre pessoas do mesmo sexo em Santa Catarina

Noivos viviam em regime de união estável há dois anos e decidiram converter relação em casamento na última sexta-feira, 12, no Cartório Daniela Araújo, em Araranguá.

Araranguá (SC) - "Mais do que algo para a humanidade, nosso casamento representa um marco importante na vida da gente". Assim, sem grandes pretensões, reflete o professor universitário A. S. M. 39, que por volta das 18h de sexta-feira, 12, trocou alianças e assinou a Certidão de Casamento que selou a união amorosa com o bancário G. F. S. 23. O primeiro casamento entre duas pessoas do mesmo sexo de SC foi registrado no Cartório Daniela Araújo, centro de Araranguá, e além dos padrinhos, madrinhas, familiares e amigos do casal, contou também com a presença da imprensa, que fez questão de registrar o momento histórico no Estado.

Entendendo que a Certidão de Casamento é uma ferramenta que vai auxiliar o casal em sua vida cotidiana - já que assim como qualquer casal heterossexual, com a oficialização da união, os dois passam a ter direitos como herança, contrair empréstimos, inserção em planos de saúde e outras vantagens - o casal diz que o casamento apenas oficializa o amor e o respeito que mantém desde que se conheceram, há cerca de três anos, num site de relacionamentos na internet. Desde então, os dois vem batalhando para garantir os direitos de casal. Em 2009, os dois registraram em cartório a união estável homoafetiva, mas o registro não garantia a herança, divisão de bens e outros benefícios garantidos no casamento.

Em junho deste ano, dez dias após a decisão do STF que reconheceu a união homoafetiva como um instituto a ser considerado pela legislação, eles registraram em cartório uma escritura pública de união estável homoafetiva: "Esses papéis admitiam nossa união, mas mesmo assim, para conquistar direitos, seria necessário pagar para ver ou ingressar na Justiça. Com o casamento oficializado, isso tudo é dispensado, já que hoje a lei encara a gente como casal, independente do sexo", comemora A. que diz que a oficialização traz reflexos positivos na vida do casal, que optou em tornar o casamento público como uma oportunidade de trazer uma reflexão para a sociedade, inclusive para as pessoas que pensam de maneira diferente deles.

Assim como qualquer casal, os dois debatem se terão filhos, planejam o futuro e pretendem se divertir e viajar muito juntos. Depois de decidir estar mais juntos e dispensar por enquanto a presença de um filho adotivo, os dois decidiram pela aquisição de Chiquinho, um cachorro Maltês. Planejar como cuidar de Chiquinho, como manter o cachorro no condomínio onde vivem sem incomodar os vizinhos são questões feitas por eles, como seria com qualquer casal. Além do fato de serem do mesmo sexo, nada, ou pouco, diferencia os dois de qualquer outra união, incluindo nisso a possibilidade do casamento não dar certo: "Esperamos, como qualquer casal, que seja amor para sempre, mas estamos conscientes de que somos falíveis e o casamento pode não dar certo, assim como seria para qualquer outro casal", afirmam.

Para os dois, muito além da reflexão sobre o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo, o que aconteceu na vida deles é um retrato da era em que vivemos, onde, apesar do capitalismo que faz com que as pessoas corram atrás do dinheiro e esqueçam a parte humana, ao mesmo tempo há espaço para um contato mais íntimo com o que cada um é e o que busca para ser feliz: "Por anos, nos elencamos na religião, que se firma na sociedade com os princípios do casamento e da família dentro de um modelo convencional. Hoje, a humanidade vê muitos desses modelos preestabelecidos caindo por terra, e percebe que mais do que padrões construídos pelas instituições, que muitas vezes tornam a vida artificial, o mais importante é o amor de verdade, a vida de verdade, a plenitude. Casamos para nós, para nossa felicidade, mas sabemos que essa não é apenas uma conquista nossa ou apenas dos homossexuais, mas uma conquista de toda a humanidade rumo a uma felicidade verdadeira e uma plena realização", finaliza.

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