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13 de Março de 2013

Clipping - Portal G1 - 'Não importa se mudar o nome', diz Odilo que inspirou nome de cardeal

Tabelião de 89 anos lembra do dia em que foi feito o registro de Dom Odilo.
Se for eleito Papa, cardeal brasileiro trocará de nome, como é tradição.


Apontado como um dos favoritos para ser o novo Papa, Dom Odilo Scherer deve mudar o nome se for eleito no conclave que está sendo realizado no Vaticano. A alteração, tradição entre os Papas, encerraria uma homenagem feita pelo pai do cardeal no momento do registro do filho, em 1949, em Cerro Largo, no Rio Grande do Sul. Na época, seu Edwino escolheu o nome do escrivão, Odilo, para batizar o menino. A história foi confirmada pelo próprio cardeal durante uma visita à cidade em 2009.

Orgulhoso, Odilo Cristiano Wenzel lembra da homenagem. Por mais de 30 anos, ele foi o responsável pelo cartório da cidade na região das Missões, no Rio Grande do Sul. Aos 89 anos, Odilo não tem mais a mesma memória de antes, mas diz que lembra com clareza do dia em que o pai do hoje cardeal compareceu ao cartório para registrar o nascimento do filho, o sétimo de um total de 13. Edwino Scherer teria gostado tanto do tabelião que decidiu dar o nome dele ao recém-nascido.
"Não sei dizer o porquê, mas ele simpatizou muito comigo. Pegou o meu nome e decidiu colocá-lo no filho", diz ao G1 Wenzel, que assim como Edwino era descendente de imigrantes alemães que se fixaram na região.

Caso seja eleito Papa, Dom Odilo terá de abdicar do nome de batismo, conforme determina a tradição da Igreja e como fizeram inúmeros pontífices antes dele. O polonês Karol Wojtyla, por exemplo, escolheu e passou a ser chamado de João Paulo II. O alemão Joseph Ratzinger, de Bento XVI. Odilo Wenzel, no entanto, não está preocupado em ver a homenagem que recebeu ser desfeita. "Não importa se mudar o nome. Estou torcendo muito para ele ser o Papa. Deixaria todo o Brasil orgulhoso", afirma.

O responsável pelo cartório conta que Edwino estava orgulhoso por registrar o filho, depois de passar trabalho para se deslocar da localidade da Linha São Francisco, uma comunidade rural a cerca de 15 quilômetros do centro do município, então um distrito de São Luiz Gonzaga. Naquela época, essa distância não era facilmente percorrida, nem os registros de nascimento eram tão comuns.
"As pessoas não registravam os filhos na hora, às vezes demoravam muitos anos. As mulheres só eram registradas quando iriam se casar, por exemplo. Os pais faziam o batismo na Igreja, mas não se importavam muito com o registro civil", explica Odilo Wenzel.

A certidão de nascimento de Dom Odilo Scherer está arquivada no cartório de Cerro Largo, escrita a lápis, nas páginas já amareladas de um grande livro-registro de capa dura. Nela, lê-se que Edwino registrou o filho em 27 de setembro de 1949, seis dias após o nascimento dele.

Familiares dos Scherer em Cerro Largo afirmam que a história é verídica e corre entre os parentes na cidade. Durante uma missa em julho de 2009, o cardeal chamou o escrivão ao altar. "O próprio Dom Odilo falou sobre isso durante uma celebração", afirma ao G1 Doris Maria Bach, prima do cardeal.
O ex-tabelião e a mulher com quem é casado há quase 70 anos, Maria Clotilde Heck Wenzel, conheceram pessoalmente Dom Odilo Scherer naquele ano. O então bispo de São Paulo veio à cidade natal receber uma homenagem de cidadão ilustre na Câmara de Vereadores. Desde então, Odilo, o Wenzel, guarda um retrato do xará na estante de sala.

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