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14 de Março de 2005
Arpen-SP na Folha de São Paulo - Maioria ainda adota o nome do marido
De 6.897 casamentos em dezembro de 2004, 5.886 mulheres preferiram mudar de sobrenome
Apesar de não ser obrigatório por lei, a maioria das noivas paulistanas ainda opta por usar o nome do marido depois de casada. A Lei do Divórcio, de 1977, tornou facultativa a adoção do sobrenome do noivo. Mesmo assim, em dezembro de 2004, de 6.897 casamentos, 5.886 mulheres preferiram alterar seus nomes.
Para a psicanalista Walkiria Helena Grant, "a mulher sabe que o nome não a nomeia". "Existe algo além do nome para falar da mulher, para falar da especificidade do que é o feminino."
O padre Javier Mateo Arana, da paróquia Nossa Senhora do Carmo, em Santos, que realiza em média 65 casamentos por ano, questiona a autonomia feminina quando se escolhe usar o sobrenome do marido. Para ele, as duas coisas se contrapõem.
"São clichês que se colocam hoje em dia de que a mulher é independente, é livre, a conta é pessoal, não é conjunta. Você vê que não é tanto assim. A grande maioria continua querendo levar o nome do marido."
"O nome nos dá uma lei. As prostitutas mudam de nome para entrar na profissão. Os ladrões mudam de nome para entrar no mundo sem lei. O nome é sempre o respeito a uma lei, a uma linhagem", diz a psicanalista.
Foi considerando essa linhagem, a continuação da família, que a publicitária Priscila Brigagão Antelmi, 25, adotou o sobrenome Antelmi, do marido.
"Foi por livre e espontânea vontade. Eu nunca pensei em não colocar o nome dele. Acho que família é família. Fui criada de um jeito em que família tem o mesmo sobrenome. Aqui em casa a gente fala que a família é pequenininha, mas é a família Antelmi. Quero que, no futuro, meus filhos tenham o mesmo sobrenome que eu uso", diz a publicitária.
Para provar que um casamento também é feito de diálogo e flexibilidade, Gustavo Antelmi, 29, publicitário, quis assumir o sobrenome da mulher, mas não concluiu o projeto.
"Queria colocar o nome dela porque eu só tenho um sobrenome. Não mudei porque o funcionário do cartório disse que tinha uma taxa. Ia colocar apenas para balancear. O importante é não trocar o primeiro nome. O resto é mera convenção."
União
A analista comercial Mariana Elias dos Santos Macedo, 24, afirma acreditar que o casamento é uma união de famílias e credita a essa união a importância do uso do sobrenome Macedo, que é do marido.
"Sigo uma filosofia que diz que o casamento une não só marido e mulher, mas também as famílias. Acho isso [usar o sobrenome do homem] importante", afirma a analista comercial.
O pastor Deiá de Andrade diz que não há referência bíblica para que a mulher adote o sobrenome do marido. Segundo ele, há passagens que indicam que "a mulher é parte integrante do marido".
Para ele, a inversão de sobrenomes no registro dos filhos, algo possível pelo Código Civil, trará a descontinuação do que se convencionou chamar de família. "Vai descaracterizar a família. Tudo o que vá ferir os padrões da família não é bom."
O oficial de registro civil Rodrigo Valverde Dinamarco diz que deveriam existir regras para garantir que a "família" nunca desapareça.
"Deveria haver uma lei que orientasse os pais a registrar o nome dos filhos de determinada maneira, dando algumas opções para que a história da família não se perca."
Exceção
Para a psicóloga Deisely Carreiro Stefani, uma mulher que "resolveu" os conflitos entre forte (homem) e fraco (mulher) e que tem uma visão mais "atualizada" pode decidir carregar apenas o nome de batismo, e não adotar o sobrenome do marido.
"Eu não queria tirar o Zacharias [sobrenome de batismo], porque tem um significado para mim, é importante. Se colocasse outro nome, ficaria muito grande. E eu teria que mudar todos os meus documentos. Foi uma questão de praticidade. Acho que colocar ou não o nome do marido não te faz mais ou menos mulher", diz Michelle Marisa Zacharias Ferreira, 31, radialista que optou por não fazer a mudança.
Fonte: Jornal Folha de São Paulo
Autor:Mariana Campos e Sílvia de Moura, - da Coordenadora Assistente da Agência Folha
Apesar de não ser obrigatório por lei, a maioria das noivas paulistanas ainda opta por usar o nome do marido depois de casada. A Lei do Divórcio, de 1977, tornou facultativa a adoção do sobrenome do noivo. Mesmo assim, em dezembro de 2004, de 6.897 casamentos, 5.886 mulheres preferiram alterar seus nomes.
Para a psicanalista Walkiria Helena Grant, "a mulher sabe que o nome não a nomeia". "Existe algo além do nome para falar da mulher, para falar da especificidade do que é o feminino."
O padre Javier Mateo Arana, da paróquia Nossa Senhora do Carmo, em Santos, que realiza em média 65 casamentos por ano, questiona a autonomia feminina quando se escolhe usar o sobrenome do marido. Para ele, as duas coisas se contrapõem.
"São clichês que se colocam hoje em dia de que a mulher é independente, é livre, a conta é pessoal, não é conjunta. Você vê que não é tanto assim. A grande maioria continua querendo levar o nome do marido."
"O nome nos dá uma lei. As prostitutas mudam de nome para entrar na profissão. Os ladrões mudam de nome para entrar no mundo sem lei. O nome é sempre o respeito a uma lei, a uma linhagem", diz a psicanalista.
Foi considerando essa linhagem, a continuação da família, que a publicitária Priscila Brigagão Antelmi, 25, adotou o sobrenome Antelmi, do marido.
"Foi por livre e espontânea vontade. Eu nunca pensei em não colocar o nome dele. Acho que família é família. Fui criada de um jeito em que família tem o mesmo sobrenome. Aqui em casa a gente fala que a família é pequenininha, mas é a família Antelmi. Quero que, no futuro, meus filhos tenham o mesmo sobrenome que eu uso", diz a publicitária.
Para provar que um casamento também é feito de diálogo e flexibilidade, Gustavo Antelmi, 29, publicitário, quis assumir o sobrenome da mulher, mas não concluiu o projeto.
"Queria colocar o nome dela porque eu só tenho um sobrenome. Não mudei porque o funcionário do cartório disse que tinha uma taxa. Ia colocar apenas para balancear. O importante é não trocar o primeiro nome. O resto é mera convenção."
União
A analista comercial Mariana Elias dos Santos Macedo, 24, afirma acreditar que o casamento é uma união de famílias e credita a essa união a importância do uso do sobrenome Macedo, que é do marido.
"Sigo uma filosofia que diz que o casamento une não só marido e mulher, mas também as famílias. Acho isso [usar o sobrenome do homem] importante", afirma a analista comercial.
O pastor Deiá de Andrade diz que não há referência bíblica para que a mulher adote o sobrenome do marido. Segundo ele, há passagens que indicam que "a mulher é parte integrante do marido".
Para ele, a inversão de sobrenomes no registro dos filhos, algo possível pelo Código Civil, trará a descontinuação do que se convencionou chamar de família. "Vai descaracterizar a família. Tudo o que vá ferir os padrões da família não é bom."
O oficial de registro civil Rodrigo Valverde Dinamarco diz que deveriam existir regras para garantir que a "família" nunca desapareça.
"Deveria haver uma lei que orientasse os pais a registrar o nome dos filhos de determinada maneira, dando algumas opções para que a história da família não se perca."
Exceção
Para a psicóloga Deisely Carreiro Stefani, uma mulher que "resolveu" os conflitos entre forte (homem) e fraco (mulher) e que tem uma visão mais "atualizada" pode decidir carregar apenas o nome de batismo, e não adotar o sobrenome do marido.
"Eu não queria tirar o Zacharias [sobrenome de batismo], porque tem um significado para mim, é importante. Se colocasse outro nome, ficaria muito grande. E eu teria que mudar todos os meus documentos. Foi uma questão de praticidade. Acho que colocar ou não o nome do marido não te faz mais ou menos mulher", diz Michelle Marisa Zacharias Ferreira, 31, radialista que optou por não fazer a mudança.
Fonte: Jornal Folha de São Paulo
Autor:Mariana Campos e Sílvia de Moura, - da Coordenadora Assistente da Agência Folha