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14 de Março de 2005
Arpen-SP na Folha de São Paulo - Noivo passa a adotar o sobrenome da mulher
Em São Paulo, 540 homens incluíram o nome de sua noiva em 16.914 uniões do final de 2004
Criar uma nova família a partir do nome da mulher. Provar o quanto ela é importante na vida do casal. Romper com o ranço das tradições. Essas são algumas das justificativas que fazem com que os noivos paulistanos adotem o sobrenome de suas mulheres.
Levantamento feito pela Arpen-SP (Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado de São Paulo) para a Folha aponta que houve 16.914 casamentos no último trimestre de 2004 na cidade de São Paulo. Desses, 14.340 noivas preferiram adotar o sobrenome dos maridos, e 540 homens resolveram colocar o da mulher.
"Os homens estão mais participativos, mais domésticos. Eles não negam, mas não ficam divulgando. A troca do nome serve para ele mostrar o quanto quer essa mulher, o quanto a admira. E tentar fortalecer a união", diz a psicóloga Deisely Carreiro Stefani.
A pequena procura pode ainda estar ligada à tradição -a possibilidade só foi expressamente colocada no Código Civil de 2002. A antropóloga Maria Cecilia de Sá Porto diz que "as mudanças culturais nem sempre acompanham o ritmo das mudanças sociais".
"O ritual cultural muitas vezes se agarra às tradições. Pessoas com comportamentos e idéias de vanguarda mantêm costumes conservadores que soam totalmente contraditórios a comportamentos e idéias progressistas."
Persio Moreira Fernandes Torres, 31, assessor jurídico da FAB (Força Aérea Brasileira), em Manaus, disse que uma conversa com a noiva levou à mudança de nome. "Sou casado há três meses. A história de colocar o nome surgiu numa conversa casual, em que eu e minha mulher, ambos advogados, falávamos sobre como ficaria nosso nome. Meus amigos adoraram, acharam demais. Não conheço nenhum outro noivo que tenha trocado o nome", diz o assessor, antes Persio Moreira Fernandes. A mulher, Jalmara Geraldini Torres, passou a ser Jalmara Geraldini Fernandes Torres.
Família
O técnico em informática Jeremias Oliveira de Sousa, 23, preferiu não manter a história da família do homem que o criou. "A partir do instante em que me casei, quero construir uma história nova com minha mulher e esquecer as tristezas passadas."
Sua mulher, Samara Oliveira de Sousa, 21, auxiliar de enfermagem, explica. "O sobrenome Luz [do padrasto] para ele não tinha significado. Eu não gostava do Silva. Após meu pai se separar da minha mãe, não tinha sentido. Minha família adotou o Jeremias como filho. Acho que ele tem até orgulho do Oliveira no nome."
Fonte: Folha de São Paulo
Autor: Sílvia de Moura - Coordenadora-Assistente da Agência Folha e Mariana Campos e Thiago Reis, da Agência Folha
Criar uma nova família a partir do nome da mulher. Provar o quanto ela é importante na vida do casal. Romper com o ranço das tradições. Essas são algumas das justificativas que fazem com que os noivos paulistanos adotem o sobrenome de suas mulheres.
Levantamento feito pela Arpen-SP (Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado de São Paulo) para a Folha aponta que houve 16.914 casamentos no último trimestre de 2004 na cidade de São Paulo. Desses, 14.340 noivas preferiram adotar o sobrenome dos maridos, e 540 homens resolveram colocar o da mulher.
"Os homens estão mais participativos, mais domésticos. Eles não negam, mas não ficam divulgando. A troca do nome serve para ele mostrar o quanto quer essa mulher, o quanto a admira. E tentar fortalecer a união", diz a psicóloga Deisely Carreiro Stefani.
A pequena procura pode ainda estar ligada à tradição -a possibilidade só foi expressamente colocada no Código Civil de 2002. A antropóloga Maria Cecilia de Sá Porto diz que "as mudanças culturais nem sempre acompanham o ritmo das mudanças sociais".
"O ritual cultural muitas vezes se agarra às tradições. Pessoas com comportamentos e idéias de vanguarda mantêm costumes conservadores que soam totalmente contraditórios a comportamentos e idéias progressistas."
Persio Moreira Fernandes Torres, 31, assessor jurídico da FAB (Força Aérea Brasileira), em Manaus, disse que uma conversa com a noiva levou à mudança de nome. "Sou casado há três meses. A história de colocar o nome surgiu numa conversa casual, em que eu e minha mulher, ambos advogados, falávamos sobre como ficaria nosso nome. Meus amigos adoraram, acharam demais. Não conheço nenhum outro noivo que tenha trocado o nome", diz o assessor, antes Persio Moreira Fernandes. A mulher, Jalmara Geraldini Torres, passou a ser Jalmara Geraldini Fernandes Torres.
Família
O técnico em informática Jeremias Oliveira de Sousa, 23, preferiu não manter a história da família do homem que o criou. "A partir do instante em que me casei, quero construir uma história nova com minha mulher e esquecer as tristezas passadas."
Sua mulher, Samara Oliveira de Sousa, 21, auxiliar de enfermagem, explica. "O sobrenome Luz [do padrasto] para ele não tinha significado. Eu não gostava do Silva. Após meu pai se separar da minha mãe, não tinha sentido. Minha família adotou o Jeremias como filho. Acho que ele tem até orgulho do Oliveira no nome."
Fonte: Folha de São Paulo
Autor: Sílvia de Moura - Coordenadora-Assistente da Agência Folha e Mariana Campos e Thiago Reis, da Agência Folha