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15 de Março de 2005

Clipping - Rede Globo - Jornal Nacional - Direto do Oriente - 15/03

O Jornal Nacional começa hoje a mostrar um Brasil clandestino. Neste início de século 21, 1,5 milhão de imigrantes vivem no Brasil de forma irregular, atraídos por cidades onde eles imaginavam começar vida nova.

Na primeira reportagem da série, o Jornal Nacional mostra gente que atravessou o mundo, que depende de um documento para começar a crescer.

A chegada numa carruagem eletrônica foi triunfal. Kim Weon Kim e sua esposa casaram-se na Coréia, há seis meses. Ele é estudante de assistência social e ela enfermeira. Foi um festão que reuniu toda a família. Era também uma despedida. Agora eles vivem em São Paulo.

Kim tem planos ambiciosos: montar uma empresa de exportação. Por enquanto vende tecidos de loja em loja.

"É difícil vender em português. Em coreano eu tenho uma boa conversa, mas em português é meio difícil", fala ele.

Primeiro vieram os árabes no século 19, depois dos judeus no século 20. Mas a arte de vender está mudando de mãos mais uma vez. No século 21 são os orientais os reis do comércio em São Paulo.

O coreanos são donos de centenas de lojas no centro da cidade. Eles começaram a chegar a mais de 30 anos. Uma nova leva de migrantes veio da Coréia a partir da metade dos anos 90. Eles já passam de 50 mil em São Paulo.

A emigração de chineses também voltou a crescer. Em Campinas, fenômeno recente, já vivem sete mil. Em São Paulo são 20 mil.

Um casal de chineses está há poucos meses no Brasil. Ela tem apenas 21 anos. Ele 26. Ela era vendedora e ele motorista. Mesmo com a economia acelerada por lá, eles acham que no Brasil terão maiores oportunidades. Eles vendem produtos para chineses e já conseguiram o seu próprio negócio.

Ele diz que só sabia que o clima era quente e que havia uma grande diferença de fuso horário. Mas um primo, diz ele, disse que o Brasil era bom e ele estava certo. A mulher quer adotar o Brasil como segunda pátria e crescer profissionalmente. Antes, diz ela, é preciso conseguir os documentos.

Mas o estatuto do estrangeiro é rigoroso. Segundo o secretário-executivo do ministério da Justiça, Luiz Paulo Barreto, é rigoroso demais. Ele diz que o novo estatuto já está sendo elaborado por uma comissão interministerial.

"Vamos agir muito duro com relação àqueles que cometeram crimes no Brasil. Do mesmo modo, vamos facilitar a vida dando trânsito migratório para os que vêm contribuindo para o crescimento do Brasil", informou o secretário-executivo.

Com o novo estatuto vai ficar mais simples e barato conseguir um visto de permanência no país. Os sul-americanos terão tratamentos diferenciados, com menos exigências, novas categorias de vistos serão criadas para professor, empresário, prestador de serviço e até para aposentados que queiram viver no Brasil.

Para o secretário do ministério da Justiça esses profissionais que chegam não tiram emprego dos brasileiros.

"O perfil do imigrante que vem ao Brasil é empreendedor. Eles vêm montar pequenos negócios, são geradores de emprego", diz ele.

O secretário nacional da Pastoral do Imigrante, Luiz Bassegio, trabalha mais de 20 anos ajudando estrangeiros que chegam ao Brasil. Uma lei mais simples, para ele, é um passo importante para diminuir a exploração da clandestinidade.

"Nós entendemos que toda pessoa no mundo tem direito de ser cidadão aonde ela se encontra, ainda mais em uma era de globalização", defende Luiz Bassegio.

O casamento de Kim Weon Kim já foi meio assim, um pé no Ocidente e outro na tradição do Oriente.

Os dois já estão fincando raízes do Brasil, sabendo que na Coréia tem uma multidão torcendo por eles.

O texto do novo estatuto do estrangeiro já está pronto, mas passará por consulta popular antes de ir para o Congresso Nacional.

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