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22 de Março de 2005

Clipping - Rede Globo - Jornal Nacional - Fuga para o Brasil

Estrangeiros que escolheram o Brasil para fugir da guerra e da fome são o tema da última reportagem, na série sobre os imigrantes do século 21.

A saudade, Nicholas Beckell alivia com notícia. Faz o que pode pela internet. Edmundo escreve carta para a família, há seis mil quilômetros de distância. Eles fugiram de guerra civil na África.

Edmundo da Costa do Marfim. Nicolas, do Congo. Vieram parar no Brasil sem nada. Sem emprego, sem família.

"Estou sentindo muita falta da minha família", diz Nicholas.

Edmundo, técnico em eletrônica, teve que deixar a mulher e a filha.

"Quando você está em uma guerra, é difícil fugir, tem que aproveitar a oportunidade. Meu sonho é trazê-los mais tarde", fala Edmundo.

Guerra civil mata, desemprega, desalojam milhões de pessoas em vários países da África. Levam multidões para as estradas e campos de refugiados. Afetam a vida mesmo de quem não está envolvido no conflito. O Brasil tornou-se uma opção.

"A maioria são pessoas que já estudaram com nível superior completo. Sempre quando tem essa dificuldade econômica lá também, em termos de desemprego, todo mundo sai em busca, não é só para o Brasil", explica Beruck Nwabasili, presidente da Comunidade Nigeriana.

De Angola, vem a maior parte. Mas também da Nigéria, da Costa do Marfim, Congo, Guiné-Bissau, Libéria.

Nos últimos dez anos chegaram ao Brasil mais de 50 mil africanos. Jeito de viver, comportamento, a comida. São vários obstáculos para quem vive longe da sua terra. Em uma sala de aula, africanos, de várias nacionalidades, tentam superar a primeira e a maior de todas as barreiras: a da língua.

É mais do que uma aula. Para Nicholas e Edmundo é a chance de conviver com muitas outras pessoas na mesma situação que eles.

"Sem documento, andar no outro país, é difícil trabalhar, sem documento é difícil", conta Nicholas.

É um longo caminho para a burocracia. O refugiado tem que provar que não tinha opção, teve que fugir do seu país. Se a imigração ocorreu só por um motivo econômico, o visto fica ainda mais difícil.

Ter um filho nascido no Brasil facilitou a vida de Titelade Tofade e seu marido. Eles ganharam visto de residência permanente. O casal da Nigéria hoje é dono de um mercadinho no centro de São Paulo.

Ele diz que quer voltar para a Nigéria, mas a depois que se aposentar, com um bom pé-de-meia. Nicholas e Edmundo ainda estão bem longe disso, mas não se preocupam, foi amor à primeira vista pelo Brasil.

Edmundo diz que já na janela do avião olhou e se encantou por São Paulo. "No chão, foi melhor ainda. As pessoas são muito hospitaleiras. Não tenho um tempo limitado para ficar no Brasil", comenta ele.

Brasileiros ilegais nos EUA

Os 57 brasileiros presos nos Estados Unidos por estarem em situação ilegal foram ouvidos hoje por uma autoridade do serviço de imigração. Eles foram detidos em dois estados: Massachusetts e Connecticut.

Connecticut hoje é o destino principal de imigrantes brasileiros que conseguem entrar ilegalmente nos Estados Unidos.

Os que foram presos ontem, em Connecticut, ficaram detidos no Tribunal Federal da cidade de Hartford. De lá foram transferidos para Boston, no estado vizinho de Massachusetts, onde serão julgados. Eles devem ser deportados.

O pastor Sílvio Almeida foi entregar ao juiz os passaportes de 16 brasileiros.

"Existe uma change de eles terem, pelo menos, três, quatro meses para ficarem no país e depois retornarem a corte e aí serem mandados embora", falou o pastor.

A batida em 28 supermercados de uma rede pegou de surpresa brasileiros que trabalhavam de madrugada fazendo a limpeza, mas alguns ainda conseguiram alertar colegas que fugiram antes que oficiais da imigração chegassem.

Em um centro cultural de Hartford, que dá apoio aos brasileiros, muitos passaram o dia em busca de notícias dos parentes.

Rosangela Rocho não conseguiu dormir, sem informações do marido.

"Eu só queria escutar a voz dele, saber como ele está", diz ela.

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