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11 de Dezembro de 2014
Mulheres lideram os casamentos gays em Ribeirão Preto
Jéssica e Juliana oficializaram união no ano passado; há 25 dias nasceu a filha Paola, fruto de inseminação artificial
As mulheres lideram o ranking dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo em Ribeirão Preto. No ano passado, das 35 uniões registradas nos cartórios da cidade, 25 foram entre mulheres. O número é mais do que o dobro dos dez casamentos registrados entre homens.
Os dados compõem as Estatísticas do Registro Civil de 2013, divulgadas nesta terça-feira (9) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Juliana, 28 anos, e Jéssica, 24, são um dos 25 casais femininos que oficializaram a união no ano passado. Depois de quatro anos morando juntas, elas resolveram casar de papel passado. “Era muita burocracia para fazermos um contrato de união estável, então decidimos casar mesmo”, relata Juliana.
No dia 26 de julho de 2013, Jéssica Tainara Carvalho virou Jéssica Tainara Carvalho Angeloti. “Ela até pegou meu sobrenome”, comenta Juliana orgulhosa.
Neste ano, o motivo de orgulho foi outro. Juliana pôde carregar um filho de Jéssica na barriga. Há 25 dias nasceu Paola Anita, fruto de uma inseminação artificial.
“A Jéssica tinha o sonho de ser mãe, mas ela não pode ter filho, por isso eu acabei sendo a ‘barriga de aluguel’”, afirma Juliana. “Ela está ‘babando’, no bebê” completa.
Juliana afirma que o nome da criança é uma homenagem ao seu filho, Paulo, de 11 anos, e à sua mãe, Júlia Anita, que morreu em setembro.
Para a jovem, poder se casar no cartório foi uma conquista. Mas, agora, ela tem um novo desafio pela frente: registrar a criança com o nome das duas mães. “Por enquanto, a Paola Anita está só com o meu nome. Vou ter que entrar na Justiça para conseguir colocar o nome da Jéssica.”
Esta foi a primeira vez que as Estatísticas do Registro Civil do IBGE divulgaram os números de casamentos gays. “Reconhecemos que essa convivência entre pessoas do mesmo sexo existe e que essas pessoas precisam ser acolhidas”, destaca o frei Mauro Luiz de Oliveira.
Segundo ele, a cultura familiar inspira mais cuidados atualmente. “De uns anos para cá, houve conquistas, mas também houve mudanças de valores”, ressalta.
Divórcios já são 34% dos casamentos
As estatísticas do IBGE ainda evidenciam que o número de divórcios em Ribeirão Preto no ano passado correspondeu a 34,8% do número de casamentos. Dez anos atrás, a porcentagem era de 15,8%.
Em 2013, 4.061 casamentos e 1.414 divórcios foram contabilizados pelos cartórios de registro civil da cidade. Já em 2003, foram 3.364 casamentos e 532 divórcios.
O professor de antropologia da Unesp Dagoberto José Fonseca lembra que os conflitos conjugais sempre existiram. “As pessoas sofriam, mas não falavam nada. Apenas a partir da metade do século 20 que a instituição do casamento começou a ruir formal e oficialmente”, explica.
De acordo com o professor, os homens se casam mais vezes do que as mulheres. “Há mais mulheres do que homens na sociedade e, na faixa etária dos 40 aos 60 anos, os homens costumam ser mais dependentes.” As mulheres divorciadas, por sua vez, tendem a construir uma união estável, mas dificilmente se casam novamente.

Divorciados e convictos
A vigilante Amanda Belon, 32 anos, se divorciou em 2004 e não pretende se casar de novo. “Fiquei traumatizada”, diz.
O casamento de quatro anos acabou em virtude de uma traição. “Não existe perdão para traição. Quem faz uma vez, faz dez”, enfatiza.
Amanda acredita que o respeito e o companheirismo de antigamente se perderam. “As pessoas vivem cada um por si, não dão mais valor à família”, diz.
A independência feminina é outro fator que contribuiu para o aumento dos divórcios, segundo a vigilante.
“Hoje em dia, mulher não precisa mais casar, porque consegue sustentar uma casa por conta própria”, comenta.
O aposentado Alcides Eduardo, 59 anos, também se divorciou há alguns anos, mas por um motivo diferente. “Acabou o amor, não tinha mais ambiente dentro de casa”, conta.
Alcides foi casado durante 22 anos e garante que o desgaste ‘fala mais alto’ do que uma união de longa data. “Antes, as pessoas ficavam juntas mesmo sem se amar, por comodidade e porque separação era uma coisa ruim. Hoje existe mais liberdade”, observa.
O aposentado está solteiro e não quer se casar novamente. “Estou bem sozinho.”
As mulheres lideram o ranking dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo em Ribeirão Preto. No ano passado, das 35 uniões registradas nos cartórios da cidade, 25 foram entre mulheres. O número é mais do que o dobro dos dez casamentos registrados entre homens.
Os dados compõem as Estatísticas do Registro Civil de 2013, divulgadas nesta terça-feira (9) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Juliana, 28 anos, e Jéssica, 24, são um dos 25 casais femininos que oficializaram a união no ano passado. Depois de quatro anos morando juntas, elas resolveram casar de papel passado. “Era muita burocracia para fazermos um contrato de união estável, então decidimos casar mesmo”, relata Juliana.
No dia 26 de julho de 2013, Jéssica Tainara Carvalho virou Jéssica Tainara Carvalho Angeloti. “Ela até pegou meu sobrenome”, comenta Juliana orgulhosa.
Neste ano, o motivo de orgulho foi outro. Juliana pôde carregar um filho de Jéssica na barriga. Há 25 dias nasceu Paola Anita, fruto de uma inseminação artificial.
“A Jéssica tinha o sonho de ser mãe, mas ela não pode ter filho, por isso eu acabei sendo a ‘barriga de aluguel’”, afirma Juliana. “Ela está ‘babando’, no bebê” completa.
Juliana afirma que o nome da criança é uma homenagem ao seu filho, Paulo, de 11 anos, e à sua mãe, Júlia Anita, que morreu em setembro.
Para a jovem, poder se casar no cartório foi uma conquista. Mas, agora, ela tem um novo desafio pela frente: registrar a criança com o nome das duas mães. “Por enquanto, a Paola Anita está só com o meu nome. Vou ter que entrar na Justiça para conseguir colocar o nome da Jéssica.”
Esta foi a primeira vez que as Estatísticas do Registro Civil do IBGE divulgaram os números de casamentos gays. “Reconhecemos que essa convivência entre pessoas do mesmo sexo existe e que essas pessoas precisam ser acolhidas”, destaca o frei Mauro Luiz de Oliveira.
Segundo ele, a cultura familiar inspira mais cuidados atualmente. “De uns anos para cá, houve conquistas, mas também houve mudanças de valores”, ressalta.
Divórcios já são 34% dos casamentos
As estatísticas do IBGE ainda evidenciam que o número de divórcios em Ribeirão Preto no ano passado correspondeu a 34,8% do número de casamentos. Dez anos atrás, a porcentagem era de 15,8%.
Em 2013, 4.061 casamentos e 1.414 divórcios foram contabilizados pelos cartórios de registro civil da cidade. Já em 2003, foram 3.364 casamentos e 532 divórcios.
O professor de antropologia da Unesp Dagoberto José Fonseca lembra que os conflitos conjugais sempre existiram. “As pessoas sofriam, mas não falavam nada. Apenas a partir da metade do século 20 que a instituição do casamento começou a ruir formal e oficialmente”, explica.
De acordo com o professor, os homens se casam mais vezes do que as mulheres. “Há mais mulheres do que homens na sociedade e, na faixa etária dos 40 aos 60 anos, os homens costumam ser mais dependentes.” As mulheres divorciadas, por sua vez, tendem a construir uma união estável, mas dificilmente se casam novamente.

Divorciados e convictos
A vigilante Amanda Belon, 32 anos, se divorciou em 2004 e não pretende se casar de novo. “Fiquei traumatizada”, diz.
O casamento de quatro anos acabou em virtude de uma traição. “Não existe perdão para traição. Quem faz uma vez, faz dez”, enfatiza.
Amanda acredita que o respeito e o companheirismo de antigamente se perderam. “As pessoas vivem cada um por si, não dão mais valor à família”, diz.
A independência feminina é outro fator que contribuiu para o aumento dos divórcios, segundo a vigilante.
“Hoje em dia, mulher não precisa mais casar, porque consegue sustentar uma casa por conta própria”, comenta.
O aposentado Alcides Eduardo, 59 anos, também se divorciou há alguns anos, mas por um motivo diferente. “Acabou o amor, não tinha mais ambiente dentro de casa”, conta.
Alcides foi casado durante 22 anos e garante que o desgaste ‘fala mais alto’ do que uma união de longa data. “Antes, as pessoas ficavam juntas mesmo sem se amar, por comodidade e porque separação era uma coisa ruim. Hoje existe mais liberdade”, observa.
O aposentado está solteiro e não quer se casar novamente. “Estou bem sozinho.”