Notícias

23 de Março de 2005

Clipping - Folha de São Paulo: "Paraguai expulsará milhares de brasileiros"

Governo informa que ilegais terão de sair; medida é represália à ação do Brasil para conter contrabando


DA REDAÇÃO

O diretor de Imigração do Paraguai, Carlos Liseras, anunciou ontem que milhares de estrangeiros sem documentos serão expulsos do Paraguai e revelou que a maior parte dos clandestinos tem nacionalidade brasileira.
"Todos os estrangeiros sem documentos serão expulsos", afirmou Liseras em declarações feitas a jornalistas.
De acordo com as autoridades, cerca de 10 mil brasileiros atravessam diariamente a fronteira para trabalhar no comércio paraguaio. Consta que há milhares de brasileiros sem documentos que trabalham em Ciudad del Este, na fronteira com o Brasil.
Os brasileiros sem documentos não vivem no Paraguai. Eles atravessam a fronteira diariamente desde Foz do Iguaçu (PR), ao lado de Ciudad del Este, para trabalhar nos milhares de estabelecimentos comerciais que atendem a turistas brasileiros.
A medida anunciada por Liseras seria uma represália tácita às restrições impostas pelo governo brasileiro à passagem de mercadorias compradas por seus cidadãos na cidade da fronteira paraguaia, que causaram protestos de sacoleiros e de paraguaios no dia 11 de março. A reação do Paraguai pode causar ainda mais manifestações.
"Os brasileiros que violam nossas leis de migração serão convidados a voltar a seu país", anunciou Liseras. Ele advertiu que também serão punidos os comerciantes árabes, chineses, coreanos e de Taiwan que contratam estrangeiros em situação irregular para trabalhar em suas lojas.

Demissões
Ontem, organizações que representam os interesses dos comerciantes da região anunciaram que vão acatar a determinação do governo. Eles disseram que vão demitir 2.000 empregados brasileiros em situação ilegal, segundo o jornal paraguaio "ABC Color".
Liseras admitiu que as irregularidades começaram há mais de 30 anos e eram toleradas até que a polícia e a Receita Federal do Brasil decidiram bloquear a passagem de mercadorias compradas no Paraguai, o que começou a ser feito há pouco mais de um mês.
O chamado "turismo de compras" é praticado normalmente pelos sacoleiros brasileiros, que levam produtos eletrônicos e de informática, brinquedos e outros para distribuição pelo território brasileiro.
Estima-se que cerca de 4 milhões de estrangeiros por ano atravessam a fronteira com destino a Ciudad del Este para fazer esse tipo de "turismo".
A diretora da Alfândega paraguaia, Margarita Díaz, afirmou que o Paraguai sofreu prejuízo de mais de US$ 10 milhões no final do mês, devido às restrições.
A vice-ministra do Comércio, Myriam Segovia, porém, disse que "o sistema de ilegalidade de Ciudad del Este tem os dias contados". Empresários da região tiveram audiência ontem com o presidente Nicanor Duarte para pedir que intermediasse a questão com seu colega brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva.
O governador do Departamento paraguaio de Alto Paraná, Gustavo Pedrozo, disse que as medidas contra os trabalhadores ilegais brasileiros se justificam porque agentes da Polícia Federal brasileira estão perseguindo turistas mesmo fora da Ponte da Amizade e em hotéis da região de Foz. Esse clima, segundo ele, obrigou comerciantes locais a fechar as portas, por falta de movimento.
Já o prefeito de Ciudad del Este, Ernesto Zacarías, disse que o Brasil pretende combater a venda de produtos falsificados, mas afirmou que apenas 4% dessas mercadorias são provenientes do Paraguai. Ele perguntou por que o governo brasileiro não reprime também o contrabando que passa por Santos e Manaus.

Assine nossa newsletter