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01 de Abril de 2005

Curso de capacitação promovido pela Arpen-SP na Febem forma a primeira turma de encadernadores

Cerimônia na Secretaria da Justiça premia trinta e sete menores que receberam carta de recomendação para realizar o novo ofício em cartórios, além de certificado de conclusão e uma caderneta de poupança. Dois já estão contratados

O anfiteatro da Secretaria de Estado da Justiça e da Defesa da Cidadania recebeu na última quinta-feira (31.03) um evento de gala. Em quase uma hora de cerimônia, a Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado de São Paulo (Arpen-SP), em parceria com o Governo do Estado de São Paulo e a empresa JS Gráfica e Encadernação, promoveu a profissionalização de 37 adolescentes que, durante três meses, frequentaram o curso de encadernação e restauração de livros ministrado no complexo Tatuapé da Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem-SP).

O evento contou com a participação do secretário da Justiça e Defesa da Cidadania, Alexandre de Moraes, que acumula o cargo de presidente da Febem, além dos juízes auxiliares da Corregedoria Geral da Justiça do Estado de São Paulo, Dr. Luís Paulo Aliende Ribeiro e Dr. Reinaldo Cintra Torres de Carvalho, que estiveram representando o Corregedor Geral da Justiça do Estado, MM. Desembargador José Mario Antônio Cardinale, além de familiares dos formandos, representantes das empresas parceiras - JS Gráfica - Sérgio Rodrigues Mendes - e Nossa Caixa - Manoel Sanz Calvo - e de Oficiais de Registro Civil da Capital.

Batizado com o nome de "Novo Rumo", o projeto ensinou à quatro turmas de interno da Fundação do Bem Estar do Menor o ofício da restauração e encadernação de livros. "Eles estão prontos e aptos a realizar este trabalho em qualquer cartório", afirmou Luiz Rodrigues Mendes, sócio da JS Gráfica, que, ao lado de Leno Zan Souza ministrou as aulas no complexo do Tatuapé. A Arpen-SP, cumprindo o acordo de parceria firmado com a Secretaria da Justiça, forneceu a cada formando uma carta de recomendação para ser apresentada nos cartórios de todo o Estado e se comprometeu a auxiliar na reintegração dos menores no mercado de trabalho.

"A Arpen-SP mostra mais uma vez sua intenção de colaborar com o Poder Público e com a sociedade civil através de mais esta parceria de caráter social e tão importante para a reintegração destes jovens à sociedade", disse o vice-presidente da Arpen-SP, Odélio Antônio de Lima, que no ato esteve representando o presidente da Associação, José Emygdio de Carvalho Filho. Além da carta de recomendação, os internos receberam um certificado de conclusão do curso e uma caderneta de poupança com saldo de R$ 150,00, valor referente à encadernação de livros executados durante o curso.

Alexandre de Moraes anunciou ainda que o trabalho da Febem não irá parar nos âmbitos da instituição. "A Febem irá estabelecer contato com todos os cartórios, não só da capital, mas da Grande São Paulo também, exatamente para encaminhar a contratação de vocês para que sigam exercendo esse ofício, não só no intento de que não se esqueçam como se faz e se aperfeiçoem, mas também, para que ganhem um salário exercendo essa função", disse dirigindo-se aos formandos da primeira turma de encadernadores da Fundação. "Hoje vocês estão tendo o gostinho especial da conquista de um diploma. Isso, sem dúvida, vai ser um passo muito importante para uma nova vida profissional", completou.

Além do vice-presidente da Arpen-SP, compareceram ao evento os Oficiais Mateus Brandão Machado, do Município de Diadema, Marlene Marchiori, do 37º Subdistrito da Capital - Aclimação, Priscila de Castro Teixeira Pinto Lopes Agapito, do Distrito do Jaraguá - Capital, Reinaldo Velloso dos Santos, do 2º Subdistrito da Capital - Liberdade, Rodrigo Valverde Dinamarco, do 10º Subdistrito da Capital - Belenzinho, Ilzete Verderamo Marques - do 33º Subdistrito da Capital - Alto da Mooca e Maria Beatriz Lima Furlan, do Distrito de Ermelino Matarazzo - Capital.

Em seu discurso, o vice-presidente da ArpenSP, ressaltou ainda a importância social de desenvolver o potencial dos menores, "instruindo-os e formando-os com a finalidade maior de concluir um processo de incalculável valor na formação desses jovens". Lembrou, também, que em julho deste ano o Estatuto da Criança e do Adolescente irá completar 15 anos e que, aos oficiais de registro civil, cabe não apenas cumpri-lo, "mas aprimorar a interpretação de seus dispositivos com a criação de canais que permitam a sadia transição da menoridade à maioridade, e que possibilitem o treinamento e o aprendizado dos jovens para que se tornem adultos capacitados e responsáveis".

Uma nova vida

O evento foi aberto com a transmissão de um vídeo sobre a parceria, intitulado "Mudando Rumos" que conta a história do curso e dos jovens encadernadores que resolveram "aproveitar uma grande oportunidade para dar um novo rumo em suas vidas". Com entrevistas comoventes dos pais dos internos, dos alunos e instrutores, o material retrata o trabalho realizado, com muito esforço e dedicação pelos adolescentes, contemplando todos os presentes com os objetivos e fundamentos desta parceria.

No vídeo, o secretário Alexandre de Moraes explica que a idéia surgiu a partir da conversa dele com a Arpen-SP, a fim de prover educação e profissionalização para os adolescentes da instituição, já que há um mercado de trabalho suficiente para absorver esses jovens. "Esta parceria faz parte de uma nova visão de reeducação que estamos implantando na Febem, que visa não só instituir valores sociais à estes jovens, como também dotá-los de capacidade para uma reintegração ao mercado de trabalho", explicou.

O Oficial Rodrigo Valverde Dinamarco, que esteve representando a Arpen-SP, afirmou que a vantagem desta parceria é que ela oferece um amplo campo de trabalho aos menores. "Nós estamos dando uma vara aos menores para eles pescarem num rio que tem peixes. Há mercado de trabalho, mas é evidente que os menores vão ter que correr atrás desse mercado, bater na porta dos cartórios, das prefeituras e das escolas. Mas com certeza tem livro pra ser restaurado, para ser encadernado, e agora eles vão poder trabalhar e, assim, ser reintegrados a sociedade e a vida normal", enfatizou.

O momento de maior empolgação por parte dos internos aconteceu quando o secretário anunciou a contratação de dois formandos pela J.S Gráfica: os jovens Adeildo e Ranoy. Emocionado, Adeildo, 19 anos, abraçou os colegas e agradeceu a oportunidade. "Essa foi a maior benção que eu poderia receber. Não vou desperdiçar essa chance", prometeu aos colegas. Ranoy, visivelmente surpreso com a notícia, pediu imediatamente para que alguém avisasse a sua mãe sobre a novidade. "Vida nova, vida nova", dizia o rapaz, para resumir sua satisfação. "Agora é só dar continuidade na minha vida trabalhando e fazendo coisas boas", contou, orgulhoso.

Comprovando o sucesso desta parceria, a empresa JS Gráfica anunciou que já recebeu mais de cinco solicitações de cartórios interessados em colaborar com esta iniciativa oferecendo serviços aos menores, além de consulta do Tribunal de Contas da União, interessado no envio de quase 300 livros para serem restaurados pelos novos encadernadores. "Acho que aumentará em bom número a quantidade de solicitações e conseguiremos absorver alguns destes menores para o trabalho imediato de restauração e encadernação", disse Sérgio Rodrigues Mendes, sócio da gráfica.

Pais e familiares manifestaram apoio aos jovens com forte presença, e demonstraram orgulho quando, já no início da noite, flashes das câmeras fotográficas invadiram o salão de eventos do Pátio do Colégio. Para a tia de Ranoy, o valor principal desse projeto é a ocupação que estes jovens conquistarão ao sair da Febem. "Os meninos têm necessidade de se ocupar com alguma coisa lá fora. Lá (na Febem) existem as rebeliões, mas aqui fora há a falta de emprego, a fome, tem problemas de família...", garante Cássia Regina Rodrigues que espera que com esse curso seu sobrinho conquiste novas oportunidades de emprego.

Após a entrega dos diplomas os adolescentes foram parabenizados pelo secretário Alexandre de Moraes, que declarou aos 37 formandos que mais importante do que o valor nominal dos 150 reais recebidos por cada um "é o valor do dinheiro conquistado com o trabalho e com a força dos que aprenderam este ofício". Na saída, os presentes puderam ver o resultado dessa ação ao receberem um bloco de anotações produzido pelos formandos, além de exemplos de livros restaurados e encadernados durante o curso.

O Projeto

Durante o curso, que durou três meses - janeiro, fevereiro e março - os jovens aprenderam a restaurar capas de livros de registros - de casamento e nascimento. Para participar do projeto o adolescente deveria ter entre 15 e 21 anos, escolaridade até a sétima série do Ensino Fundamental e, além disso, ter bom comportamento e demonstrar perfil adequado para a prática da atividade. A iniciativa teve início no Complexo do Tatuapé, na escola profissionalizante Marina Vieira Carvalho Mesquita e pretende se estender para outras turmas.

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