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07 de Abril de 2005

Clipping - Tribuna do Brasil: "Brasileiros casam e adotam o sobrenome da esposa"

"Sou casado há três meses. A história de colocar o nome surgiu numa conversa casual, em que eu e minha mulher, ambos advogados, falávamos sobre ficaria o nosso nome. Meus amigos adoraram, acharam demais. Não conheço nenhum outro noivo que tenha trocado o nome", diz o assessor, antes Pérsio Moreira Fernandes. A mulher, Jalmara Geraldini Torres, passou a ser Jalmara Geraldini Fernandes Torres.

Este é o trecho de uma matéria publicada no jornal Folha de São Paulo, de 13 de março, comprovando dados que o jornal pediu Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado de São Paulo (Arpen - SP) onde se constata que dos 16.914 casamentos no último trimestre de 2004, 450 noivos adotaram o sobrenome das noivas. Segundo a matéria, "isso cria uma nova família a partir do nome da mulher. Prova que ela é importante na vida do casal. Rompe com os ranços das tradições".

Maioria é contrária

Mas a maioria ainda prefere adotar a preferência brasileira. Segundo o Arpen - SP, dos 16.914 casamentos, 14.340 das noivas preferiram adotar o sobre nome dos maridos. Para a psicóloga Deisely Carreiro Stefan, "Os homens estão mais participativos, mais domésticos. A troca de nome serve pra mostrar quanto ele quer essa mulher, o quanto a admira. E tenta fortalecer a relação".

A possibilidade de adoção do nome da esposa só foi permitida no Brasil a partir da edição do Código Civil de 2002. Segundo a matéria, "a pequena procura pode ainda estar ligada à tradição".

Opiniões divergentes

Na matéria da Folha, o técnico em Informática Jeremias Oliveira de Souza, 23, diz que preferiu não manter o nome da família do homem que o criou. "A partir do instante em que me casei, quero construir uma história nova com a minha mulher e esquecer as tristezas passadas". Sua mulher, sâmara Oliveira de Souza, 21, auxiliar de enfermagem, explica: "O sobrenome Luz, do padrasto, para ele não tinha significado. Minha família adotou o Jeremias como filho. Acho que ele tem até orgulho do Oliveira no nome".

O Padre Javier Mateo Arana, da Paróquia Nossa Senhora do Carmo, em Santos, que realiza média de 65 casamentos por ano, questiona a autonomia feminina quando se escolhe usar o sobrenome do marido. Para ele, as duas coisas se contrapõem. "São clichês que se colocam hoje em dia de que a mulher é independente. Você que não é tanto assim. A grande maioria continua querendo levar o nome do marido".

Foi considerando essa linhagem, a continuação da família, que a publicitária Priscila Brigagão Antelmi, 25, adotou o sobrenome do marido. "Eu nunca pensei em não colocar o nome dele. Acho que família é família".

Uma amostra da matéria de que não deu certo: Gustavo Antelmi, 29, publicitário, quis assumir o sobrenome da mulher, mas não concluiu o projeto. "Queria colocar o nome dela porque eu só tenho um sobrenome. Não mudei porque o funcionário do cartório disse que tinha uma taxa".

Família

A analista comercial Mariana Elias do Santos Macedo, 24, afirma acreditar que o casamento é uma união de famílias e credita à essa importância o uso do sobrenome Macedo, que é do marido. "Sigo uma filosofia que diz que o casamento une não só marido e mulher mas também duas famílias".

"Eu não queria tirar o sobrenome de batismo, Zacharias, porque tem um significado grande pra mim. Se eu colocasse outro nome, ficaria muito grande. Acho que colocar ou não o nome do marido não te faz mais ou menos mulher", diz Michelle Marisa Zacharias Ferreira, 31, radialista que optou por não fazer a mudança.

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