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12 de Maio de 2005
Zapatero critica Igreja Católica por união gay
Em novo capítulo da disputa entre o governo socialista da Espanha e o Vaticano, o premiê José Luiz Rodriguez Zapatero fez defesa veemente da proposta de lei que autoriza o casamento entre homossexuais no país.
"Não entendo aqueles que dizem que o amor é a origem da vida e negam proteção a nossos semelhantes. Que tipo de amor é esse que excluiu os que vivem a sexualidade de uma maneira diferente?", afirmou ontem o premiê espanhol, em Madri.
A Câmara dos Deputados da Espanha aprovou em abril mudanças no Código Civil para permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo. O projeto de lei está tramitando no Senado e deve entrar em vigor em julho.
O Vaticano vem se manifestando regularmente contra a proposta do governo da Espanha, onde 94% da população se declara católica. O "Osservatore Romano", diário oficial do Vaticano, disse há três semanas que "a lei destrói a essência da identidade da união matrimonial".
A crise é pior dentro do país, onde a igreja local está decidida a esgotar todos os recursos possíveis para impedir a promulgação da polêmica lei. Na semana passada, a Conferência Episcopal Espanhola difundiu um comunicado incentivando os funcionários públicos a não celebrarem nenhum casamento homossexual.
Se seguirem a recomendação, os juízes de paz, que realizam os casamentos civis e são funcionários públicos, estariam agindo segundo as determinações da Igreja Católica e contra uma lei do país.
"Isso não deve acontecer. Em 1981 houve um problema semelhante com a questão do divórcio, que era proibido. A igreja fez um estardalhaço e incentivou a sociedade e não respeitar a lei, mas, no final, as obrigações legais venceram as convicções religiosas", disse à Folha Edmundo Rodriguez, porta-voz da Associação "Juízes para a Democracia".
Fonte: Folha de São Paulo