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16 de Maio de 2005
Clipping - Jornal da Tarde: "Casamentos duram cada vez menos"
Não deu outra. Ao saber do rompimento do jogador Ronaldo e da apresentadora Daniela Cicarelli, anunciado esta semana, a mãe da assistente de marketing Sabrina Bruniera, de 25 anos, comentou: "Ela conseguiu ganhar de você!" Sabrina se casou em fevereiro de 2003 e se separou em agosto. Uma união duradoura, comparada com a do casal mais famoso do momento. Ronaldo e Daniela namoraram menos de um ano e ficaram casados 86 dias, depois de gastar R$ 2,2 milhões numa festa de contos de fadas no Castelo de Chantilly, na França. "Nem sei como Daniela ganhou de mim." O caso da anônima Sabrina e dos estelares Ronaldo e Daniela não são isolados. Já não se fazem casamentos como antigamente.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE apontam que o número de casamentos desfeitos antes do primeiro aniversário aumentou dez vezes na última década - embora representem apenas 4,67% do total de separações. Segundo o IBGE, o ano mais vulnerável é o décimo, mas aumenta o número de divórcios nos extremos - antes das bodas de papel (1 ano) e já perto das de prata (25 anos). Em 2003, o maior grupo de separados ficou casado por mais de 20 anos. "Tive aquele casamento que toda noiva quer, com bolo, festa, para durar a vida inteira. Mas depois ficou tudo conturbado, com brigas que ninguém conseguia resolver", disse Sabrina. "Meu pai nem viu a fita do casamento. Não deu tempo", conta. À espera do divórcio e apesar da decepção, ela quer se casar de novo, "com certeza".
A comerciante Maria Sampaio foi ainda mais rápida. Casou-se em 9 de abril e deu entrada para anular o casamento em 2 de maio. Por que tão rápido? "Casei para durar bastante, mas três dias depois ele estava indo para a casa da mãe", reclama ela, que já teve outros dois maridos - o primeiro por 12 anos e o segundo por 10 - e é mãe de três filhos. "Ele só dizia que o sonho dele era casar, prometeu ser homem, mas depois começou a dizer que sexo cansava", disse Maria. Se pensa em casar novamente? "Lógico. Mas vou pensar dez vezes antes. Para ser definitivo." As novas gerações trocaram o diálogo, a crítica e a compreensão pela dissolução dos vínculos na hora de resolver os problemas, na opinião de Maria Rita Seixas, professora da Faculdade de Psicologia da Universidade Federal de São Paulo. Para ela, namorados que se casam rapidamente tendem a se separar mais cedo.
O professor da Faculdade de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo Antonio Carlos Amador Pereira enumera motivos sociológicos. "Antes a mulher se submetia a um casamento que não lhe agradava por insegurança, hoje ela trabalha fora, posterga a maternidade e cobra muito mais afeto", afirma. "As pessoas tratam o casamento como uma roupa ou eletrodoméstico que, quando quebra, é mais fácil trocar."