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02 de Junho de 2005
Clipping - Jornal da Tarde: "Era tido como morto. Vai se aposentar"
O lavrador Edgar Lourenço, 74 anos, "ressuscitou". Há quatro anos, ao tentar tirar uma segunda via da certidão de nascimento para dar entrada na aposentadoria, ele descobriu que era tido como morto. Na semana passada, finalmente provou que está vivo. Com um mandado judicial, seu Edgar conseguiu que o cartório de Americana, no Interior do Estado, cancelasse a certidão de óbito.
Depois, acompanhado pelo JT, ele foi até o Poupatempo de Itaquera, na Zona Leste e, com a nova certidão de nascimento, tirou um RG. Agora, o lavrador poderá dar entrada na tão sonhada aposentadoria e viver feliz ao lado da família.
"Quando receber o primeiro dinheiro, vou fazer um churrasco e comprar um radinho de pilha para ouvir os jogos do Corinthians", revelou o torcedor alvinegro. A batalha do lavrador chegou ao fim há cerca de um mês, quando o juiz André Augusto Salvador Bezerra, da 2º Vara Cível de São Miguel, na Zona Leste, determinou a anulação do óbito, uma vez que Lourenço estava vivo.
Seu Edgar nasceu em Americana. De acordo com a certidão de óbito do cartório da cidade, ele havia morrido em 1977 aos 46 anos, de cirrose hepática. Seu enterro ocorreu no cemitério municipal da cidade, onde até hoje existe a sepultura. Mas, nessa época, o americanense estava não só empregado em um companhia agrícola de Guarulhos, na Grande São Paulo, como também era registrado em carteira.
A história de seu Edgar causou burburinho em Americana. Até mesmo a oficial do cartório, Fátima Cristina Caldeira, ficou surpresa. "Tenho 11 anos como oficial e 28 no cartório. Nunca vi um caso desses", disse. "Trata-se de um caso que é mistério até hoje. Não dá para saber quem está enterrado naquela sepultura. Também não é homônimo." Ela explica que no registro do óbito consta o nome dos pais do lavrador: Firmina Ricardo e Antonio Lourenço.
Na certidão de nascimento emitida por Fátima, consta a seguinte frase no verso: "Faleceu ontem, 24 de agosto de 1977, nesse distrito, Edgar Lourenço. O registro foi anulado por determinação judicial". "Isso é para que ele (Edgar) nunca mais tenha problemas nesse sentido."
Teresinha de Araújo, 64, é nora de seu Edgar. Foi ela quem decidiu ajudar o sogro, ao lado da advogada Maria de Fátima Figueiredo, que acompanhou o caso sem cobrar nada. "Foi uma saga. Tinha medo que ele morresse sem conseguir tirar o RG", disse Teresinha. "Seria injusto ele nunca receber uma aposentadoria."
Como não tinha aposentadoria, o lavrador passou os quatro anos fazendo bico de jardineiro em chácaras na região de Guarulhos. Com o dinheiro, cerca de R$ 20 por bico, ele ajudava nas despesas da casa da filha Lucinéia, com quem mora ao lado dos quatro netos. "Agora vou poder ajudar", comemorou o lavrador.
Autor: Camilla Haddad