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10 de Novembro de 2005

Nascimento civil aos 21 anos no Rio Grande do Sul

Filho de agricultor do Rio Grande do Sul realiza registro tardio

José Eliseu Rodrigues, 21 anos, é habitante de um país que, oficialmente, não existe: o Brasil das pessoas que não têm nenhum documento, nem mesmo o registro de nascimento. Zé não tem certidão, carteira de identidade, CPF, carteira de trabalho, PIS nem título de eleitor. Não ajudou, por exemplo, a eleger o prefeito de Roque Gonzales, sua cidade natal, 557 km da Capital, nas Missões.

Ontem, ao lado do pai, o agricultor João Leandro Rodrigues, 63 anos, José apresentou-se à 1ª DP da Capital. Não foram registrar ocorrência, mas dizer simplesmente que ele "não existe".

Em 2003, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 12,28% das 163.461 crianças registradas no Estado nasceram em anos anteriores. No país, o percentual de registros tardios chegou a 22,5% no mesmo período.

- Passava o dia pescando, plantando soja e ajudando a criar porcos - diz José.

Em 2004, a família abandonou o trabalho na lavoura na colônia de Lajeado Portão para tentar a sorte na Capital, após uma rápida passagem por Eldorado do Sul. O pai, a mulher, Rosalina da Veiga, 63 anos, o filho, uma de suas cinco irmãs e o cunhado moram na Vila Asa Branca, bairro Sarandi, na Zona Norte.

João embarga a voz quando tenta explicar por que o filho não foi registrado e as outras cinco filhas foram.

- A gente foi deixando, deixando e o tempo passou - conta, enquanto enxuga as lágrimas do rosto.

José, que aprendeu a ler e a escrever em casa, com a ajuda das irmãs, pensa em fazer os documentos para, finalmente, tornar-se um cidadão.

Fonte:Site Anoreg BR

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