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21 de Novembro de 2005
Casamentos têm alta de 38% em município de São Paulo
Nos últimos cinco anos o Cartório de Registro Civil de Limeira registrou aumento de 38% no número de casamentos. Em 2000, 1.206 casais legalizaram a união. Este ano já ocorreram 1.665 matrimônios.
Uma interpretação superficial do levantamento feito pelo cartório a pedido da Gazeta contraria a tendência de enfraquecimento do matrimônio. Muitos estudiosos consideram a entrada da mulher no mercado de trabalho e a perda de valores religiosos como fatores responsáveis pelo casamento tardio ou ainda não oficializado.
No entanto, uma análise mais aprofundada sob a ótica da sociologia mostra que as estatísticas não revelam simplesmente um número maior de união civil, mas apontam um fator comportamental da sociedade moderna, a liberdade das pessoas que já estão separadas de se casarem novamente, o que anuncia também novos modelos familiares. A afirmação é da socióloga e professora do Isca Faculdades, Eliana de Gáspari Rodrigues.
Para esta ciência, a sociedade está em plena fase de transição ocasionada pela queda de um único modelo familiar que até então prevalecia: pai, mãe e filhos. Segundo ela, pesquisas revelam o crescimento de famílias formadas por filhos do próprio casal, mas que convivem na mesma casa com filhos de casamentos anteriores. Há também famílias que já aceitam namorados(as) dos filhos(as) compartilhando o mesmo lar e existe ainda um novo modelo de casamento adotado por cônjuges que preferem viver em casas separadas.
Eliana explica que um fator que também "movimenta" as famílias modernas é guarda compartilhada dos filhos. O acordo antigo que prevalecia quando normalmente os filhos de casais separados ficam durante a semana com a mãe e com o pai no fim de semana vem sendo substituído. Os pais definem, de acordo com suas respectivas rotinas e conforme a "agenda" da criança, os dias em que elas ficarão sob suas guardas. Se essa conduta é positiva ou negativa para educação, nem mesmo os especialistas têm uma opinião unânime.
Outra alteração nas famílias brasileiras é a presença de filhos adultos dentro de casa. Chamada de "adultecência", trata-se de pessoas que já tiveram um casamento e voltaram ao convívio dos pais na fase adulta ou que preferem mesmo adiar o casamento, investir na carreira e acabar vivendo como adolescentes, mesmo depois de adultos. "No entanto, como estamos em uma fase de transição há uma certa resistência da sociedade para não admitir esses modelos. Mas não podemos fechar os olhos, pois as mudanças estão ocorrendo e ficando mais evidentes", enfatizou.
FILHOS
Com as mudanças familiares, surge um novo conceito na sociologia, a "socialização da educação". Antes, com o modelo antigo, era tarefa somente dos pais educar os filhos. Atualmente essa incumbência é dividida ainda com outros membros como avós. A educação também é estendida na escola, nos cursos de inglês, balé e na jornada às vezes excessiva que as crianças enfrentam. "Ainda assim em muitos lares as crianças não têm a presença da mãe porque ela vai para a faculdade quando o filho chega", afirmou.
Reflexo de mudanças sociais e ecônomicas com a entrada da mulher no mercado de trabalho, a psicóloga Maria Rita Lemos alerta que, apesar da necessidade de trabalhar e estudar, a ausência dos pais compromete o processo de educação. Portanto, reservar um horário exclusivo para os filhos é uma dica importante.
Para quem ainda não tem filhos, ela frisou que se programar antes de casar ou de decidir ter uma criança, considerando tempo de trabalho e estudos é fundamental. Matéria publicada neste ano pela Gazeta mostrou que no mínimo quatro casais se separam por dia em Limeira, fruto de precipitação que também compromete a educação dos filhos.
Gazeta de Limeira - SP
Fonte: Site da Anoreg BR
Uma interpretação superficial do levantamento feito pelo cartório a pedido da Gazeta contraria a tendência de enfraquecimento do matrimônio. Muitos estudiosos consideram a entrada da mulher no mercado de trabalho e a perda de valores religiosos como fatores responsáveis pelo casamento tardio ou ainda não oficializado.
No entanto, uma análise mais aprofundada sob a ótica da sociologia mostra que as estatísticas não revelam simplesmente um número maior de união civil, mas apontam um fator comportamental da sociedade moderna, a liberdade das pessoas que já estão separadas de se casarem novamente, o que anuncia também novos modelos familiares. A afirmação é da socióloga e professora do Isca Faculdades, Eliana de Gáspari Rodrigues.
Para esta ciência, a sociedade está em plena fase de transição ocasionada pela queda de um único modelo familiar que até então prevalecia: pai, mãe e filhos. Segundo ela, pesquisas revelam o crescimento de famílias formadas por filhos do próprio casal, mas que convivem na mesma casa com filhos de casamentos anteriores. Há também famílias que já aceitam namorados(as) dos filhos(as) compartilhando o mesmo lar e existe ainda um novo modelo de casamento adotado por cônjuges que preferem viver em casas separadas.
Eliana explica que um fator que também "movimenta" as famílias modernas é guarda compartilhada dos filhos. O acordo antigo que prevalecia quando normalmente os filhos de casais separados ficam durante a semana com a mãe e com o pai no fim de semana vem sendo substituído. Os pais definem, de acordo com suas respectivas rotinas e conforme a "agenda" da criança, os dias em que elas ficarão sob suas guardas. Se essa conduta é positiva ou negativa para educação, nem mesmo os especialistas têm uma opinião unânime.
Outra alteração nas famílias brasileiras é a presença de filhos adultos dentro de casa. Chamada de "adultecência", trata-se de pessoas que já tiveram um casamento e voltaram ao convívio dos pais na fase adulta ou que preferem mesmo adiar o casamento, investir na carreira e acabar vivendo como adolescentes, mesmo depois de adultos. "No entanto, como estamos em uma fase de transição há uma certa resistência da sociedade para não admitir esses modelos. Mas não podemos fechar os olhos, pois as mudanças estão ocorrendo e ficando mais evidentes", enfatizou.
FILHOS
Com as mudanças familiares, surge um novo conceito na sociologia, a "socialização da educação". Antes, com o modelo antigo, era tarefa somente dos pais educar os filhos. Atualmente essa incumbência é dividida ainda com outros membros como avós. A educação também é estendida na escola, nos cursos de inglês, balé e na jornada às vezes excessiva que as crianças enfrentam. "Ainda assim em muitos lares as crianças não têm a presença da mãe porque ela vai para a faculdade quando o filho chega", afirmou.
Reflexo de mudanças sociais e ecônomicas com a entrada da mulher no mercado de trabalho, a psicóloga Maria Rita Lemos alerta que, apesar da necessidade de trabalhar e estudar, a ausência dos pais compromete o processo de educação. Portanto, reservar um horário exclusivo para os filhos é uma dica importante.
Para quem ainda não tem filhos, ela frisou que se programar antes de casar ou de decidir ter uma criança, considerando tempo de trabalho e estudos é fundamental. Matéria publicada neste ano pela Gazeta mostrou que no mínimo quatro casais se separam por dia em Limeira, fruto de precipitação que também compromete a educação dos filhos.
Gazeta de Limeira - SP
Fonte: Site da Anoreg BR