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19 de Fevereiro de 2006

Globo Repórter - Segundo Bloco - Rumo ao altar

Quem disse que casamento está fora de moda? Uma igreja tradicional de São Paulo, o jovem casal Érika e Nelson, e os passos que já foram repetidos por mais de 67 milhões de brasileiros, segundo o último Censo: casados como nos velhos tempos, no civil e no religioso. "A emoção de ver toda sua família lá, acompanhando, vivenciando aquilo é muito bonita", diz Érika.

"Se você casar e não for na igreja, parece que não casou", comenta Nelson.

Érika Pucci Karsokas e Nelson Karsokas Filho quiseram tudo como manda a tradição. Foi o ápice de um namoro que começou há oito anos, na adolescência. Acabou interrompido quando ele passou no vestibular, e só há um ano e meio, já formados em engenharia e empregados, os dois se reencontraram. Entre idas e vindas, enfim, a certeza de que se amavam.

"Acho que é uma divisão de responsabilidades, intimidades, saber ouvir", diz Érika.

"É mais que destino, é uma conjunção dos planetas naquela hora. Um negócio impressionante, parece que funciona como alma gêmea, alguma coisa assim. É grandioso demais", completa Nelson.

O amor pegou carona numa nova tendência nacional. "De forma muito intensa, entre 2003 e 2004, subiu quase 8% o número de casamentos formais. Isso é um dado surpreendente, dado o que aconteceu nos 30 anos anteriores, que foi o aumento da informalização das relações conjugais", conta Marcelo Neri, diretor do Centro e Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

A surpresa fez Marcelo Neri se debruçar numa pesquisa histórica: por que, então, o brasileiro voltou a se casar de "papel passado"? O principal motivo é econômico. "Quando as pessoas se sentem mais confiantes em função do ambiente econômico mais propício, elas tendem a formalizar suas relações", explica.

Érika e Nelson tiveram mesmo que acreditar numa certa estabilidade econômica para fazer o maior investimento da vida deles. "Você tem que pagar tudo até a data do casamento", diz Nelson. "Vai pagando o fotógrafo, o vestido, sem saber se daqui a um ano vão estar lá", acrescenta Érika.

Pois estava tudo lá: o fotógrafo, o vestido... Nenhuma empresa quebrou. De imprevisto, só o noivo, que jurava que não ia chorar. "Não tem jeito, a emoção é muito grande, uma coisa inexplicável", disse Nelson.

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