Notícias

24 de Março de 2006

Clipping - Correio Braziliense - Busca de paternidade leva mães a audiência

José e Rita discutiram com os promotores a situação de Nicole

De um breve romance nasceu Nicole de Jesus Rocha. A mãe, a doméstica Rita de Cássia Jesus Batista, conheceu o auxiliar de serviços gerais José Sipriano Rocha, 30 anos, por meio de amigos em comum. Moradores de Santa Maria, eles eram vizinhos de rua. Com a proximidade, mesmo casados sustentaram o relacionamento por sete meses. Até chegar a notícia: Rita estava grávida.

Desconfiado, José não quis assumir a paternidade da criança. "Até gostaria de registrar meu nome na certidão de Nicole. Ela é a minha primeira filha. Minha atual esposa já tem dois filhos e não pode mais engravidar. Mas isso vai depender do resultado do exame de DNA", afirma o auxiliar de serviços gerais. A criança de dois meses ainda não foi reconhecida pelo pai.

Como Rita, mais 250 mulheres dividiram suas histórias semelhantes, ontem, no Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDF). Ao todo, 480 foram convocadas pela Promotoria de Justiça de Defesa da Filiação, para a primeira audiência pública com mães que, ao registrar o filho nos cartórios, não informaram o nome do pai.

A audiência foi incentivada pelo Projeto Pai Legal nas Escolas. Em funcionamento há quatro anos, o programa faz uma pesquisa nas escolas regionais, em busca de crianças que não têm o nome do pai registrado na certidão. "Aproveitamos o modelo para fazer um levantamento em todos os cartórios do DF", explica a promotora Leonora Brandão.

A estudante Eliete dos Reis Marinho, 24 anos, luta para ter o nome do ex-namorado na certidão do filho. Ela namorou o motorista Anderson Pires de Macedo, 25 anos, durante um mês e engravidou. Ele se recusou a assumir a criança. "Só quero que meu filho tenha na certidão o nome do pai. Acho importante que isso seja registrado", diz.

Segundo a promotora, por falta de informação, muitas mães registram a criança sem o nome do pai. "Quando o pai se recusar a reconhecer a criança, a mãe pode abrir no cartório um procedimento de investigação, declarando o nome do suposto pai para que seja investigada a paternidade da criança", diz. Em seguida, o procedimento é encaminhado à Vara de Registros Públicos, onde é investigada a situação do casal e resolvido se o pai assume ou não a paternidade.

Em último caso, se não for comprovada a paternidade por evidências, faz-se o exame de DNA. "A demora para o reconhecimento da paternidade por DNA diminuiu depois que algumas clínicas particulares adotaram preços mais acessíveis", informa a promotora.

Ao todo, foram instaurados 140 procedimentos de investigação. Desses, 14 pais reconheceram a paternidade durante a audiência de ontem e já fizeram o novo registro da criança. "Mesmo com o reconhecimento do filho, o procedimento de investigação continuará a ser encaminhado", explica a promotora.

A estudante Laene Batista de Araújo, 15 anos, aliviou-se ao saber que seu filho teria o nome do pai na certidão. "É importante que ele saiba quem é o pai ", afirma. Com a gravidez de Laene, o pai da criança desapareceu e nunca mais deu noticias.

CERTIDÃO
As certidões de nascimento podem ser obtidas gratuitamente em qualquer cartório de registro civil do Distrito Federal

Assine nossa newsletter