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07 de Dezembro de 2006

Clipping - Correio da Bahia - Baianos enfrentam caos no retorno dos cartórios

Mesmo com fim da greve da Justiça na semana passada, repartições só reabriram ontem por causa de feriado

No segundo dia de retomada do atendimento judiciário, os usuários vivenciaram o caos em alguns cartórios, principalmente os localizados nos shoppings. A segunda-feira seria o reinicio oficial das atividades, mas como era o Dia do Comerciário, os shoppings não abriram e alguns cartórios não funcionaram.

Ontem, no Tabelionato do 4º Ofício de Notas, no Shopping Sumaré, havia uma fila com mais de 40 pessoas que aguardavam irritadas. As queixas eram ouvidas por todos os lados e quem pegava a senha com número acima de 200 se desanimava ao olhar o visor que indicava o número 57 no fim da manhã. Já na unidade da Defensoria Pública no Fórum Ruy Barbosa, em que não houve adesão à greve, muitos usuários ficaram insatisfeitos com a espera durante horas pelo atendimento. Hoje, a direção do Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário (Sinpojud) e o presidente do Tribunal de Justiça da Bahia, desembargador Benito Figueiredo, discutirão a possível implementação de um mutirão da Justiça.

No Tabelionato do 4º Ofício de Notas, enquanto o visor mostrava a senha 22, o desânimo tomava conta do técnico em segurança Sinésio Carvalho, 46 anos, que portava a senha 223. "Vim somente reconhecer firma e não tenho perspectiva de sair daqui", disse ele, que se deslocou exclusivamente de Mataripe para sanar a pendência. "Vou sair daqui à noite", reclamava o auxiliar de escritório Ivan Reis, 26 anos, que classificou como "precário" o atendimento e estava no local para autenticar e reconhecer firma. Ele portava a senha 183. Mesmo quem mora longe cogitava voltar para casa e retornar para o cartório, sabe-se lá, no fim da tarde. Foi o caso do inspetor de equipamentos Geminiano Junior, 40 anos, que também precisava reconhecer firma e estava com a senha 213.

"A firma é necessária para eu autorizar uma transação, pois vou viajar hoje (ontem) à noite", desabafou, preocupado, o morador de Mussurunga. No atendimento, três funcionários atuavam. E, segundo a escrevente Mary Marques, a partir das 13h30, haveria um funcionário extra no balcão. Ela informou ainda que foram distribuídas 250 senhas e o atendimento seguiria até o horário necessário. "Se precisar, vamos até meia-noite, pois o número de pessoas para atendimento triplicou hoje (ontem)", frisou.

A sorte, segundo ela, é que empresas como a Caixa Econômica Federal não tinham encaminhado, como de costume, entre 500 a duas mil cópias de documentação para reconhecimento de firma. "Quando o boy entra na fila, pára o atendimento", acrescenta. Um cartório, no entanto, não sediou reclamações dos usuários: o Núcleo de Assistência Jurídica (NAJ), no Shopping baixa dos Sapateiros.

Mesmo sendo um dos mais movimentados de todo o estado, quem estava na fila afirmava que o atendimento estava rápido. "Está andando rapidinho", disse a operadora de loja Marica Paz, 30 anos, que precisava abrir firma. O comerciário Mario de Almeida, 52 anos, também não tinha do que reclamar. "Está rápido o atendimento", disse ele, que precisava regularizar a certidão de nascimento.

Tudo indica que a solução para a agilidade tenha sido o esquema especial montado pela gerência. Segundo a supervisora geral do NAJ, Gabriela Lira, foram convocados os funcionários de ambos os turnos para trabalhar durante todo o dia. As únicas exceções eram os funcionários que trabalhavam em cartórios em outro turno. Lira informou que, nesta semana os atendimentos dobrarão, chegando a dois mil por dia. "Enquanto isso, o esquema será mantido", destacou. Na unidade, a abertura de firma e o registro de queixa da Justiça Estadual e Federal, além da certidão de distribuição do fórum, chegam a 70% dos serviços demandados.

Quem esperava só o fim da greve para registrar os filhos também esteve ontem no fórum Ruy Barbosa. No cartório situado na sala 5 do fórum, o técnico de enfermagem Ruy Santos, 36 anos, e sua esposa, a auxiliar administrativa Maria Clara Santos, 32 anos, estavam aliviados por terem conseguido registrar a recém-nascida Bia, de apenas 20 dias. "Já não agüentava mais esperar por essa greve. Imagine se minha filha ficasse sem registro, é como se ainda não existisse para a sociedade", frisou ele.

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