Notícias
09 de Janeiro de 2007
Clipping - Folha de São Paulo - 1º casal a se divorciar em SP após nova lei já estava separado havia 4 anos
Após quatro anos separados, a manicure Ida de Oliveira Lima, 38, e o técnico de tecidos David Roberto de Oliveira, 33, encontraram-se na manhã de ontem no 14º Tabelião de Notas em Pinheiros, zona oeste, para finalmente assinar os papéis do divórcio. Eles são o primeiro casal do Estado de São Paulo a se divorciar em um cartório, segundo a seção paulista do Colégio Notarial do Brasil.
Após tanto tempo de espera, com a nova lei do divórcio, Ida e David levaram só um dia para concluir a assinatura dos papéis, que finalmente encerra o vínculo civil entre eles. "Chegamos aqui umas 10h30. Mas ainda tivemos que ir buscar a testemunha, uma amiga minha que trabalha aqui na região, e fomos almoçar", disse Ida. Às 15h30, o processo estava concluído.
Ida e David moraram juntos por seis anos e ficaram quase dois anos oficialmente casados. Separaram-se e mudaram de cidade, mas, no papel, continuavam marido e mulher.
David diz que os dois só não tinham se separado ainda por falta de dinheiro e por causa da burocracia. "Tínhamos que ir até Santa Isabel [SP] pra dar entrada no processo de separação, já que nossa certidão de casamento está lá. Só isso já impedia a gente de correr atrás da papelada. Sai caro, demora, e os dois trabalham", explica ele.
Ida reclamava dos inconvenientes de continuar "casada no papel". "Qualquer formulário que você preenche pede o nome do cônjuge, estado civil. Apesar de não ter mais nada com ele, tinha que colocar seu nome."
Ambos já estão envolvidos com outras pessoas, e David já teve até um filho, de 11 meses, com sua atual companheira, com quem vive há 3 anos. Ida mora com outro homem há dois anos e seis meses e não via a hora de separar-se oficialmente para poder se casar de novo. "Agora estamos os dois livres", comemora ela. "Arrastar isso por quatro anos é muito cansativo", diz.
"Se isso fosse há quatro anos, não poderíamos nem estar os dois na mesma sala. Até foi bom só acontecer agora", brincou David.
Tabeliães ainda não estão preparados
A procura ontem pelo serviço de divórcio ou separação nos cartórios de São Paulo era grande, mas poucas pessoas conseguiram usufruir do que determina a lei 11.441/07, que entrou em vigor no país na última sexta-feira.
De acordo com o presidente da seção paulista do Colégio Notarial do Brasil, Paulo Tupinambá Vampré, ainda não houve tempo hábil para que os tabeliães de notas se preparassem para atender a população segundo as novas determinações.
O motivo é justamente o curto espaço de tempo entre a sanção da nova lei (dia 4) e sua entrada em vigor, diz Vampré, um dos responsáveis pelo texto de regulamentação da lei -que foi divulgado apenas ontem, dirigido aos funcionários de cartórios.
Ontem, no 17º Tabelião de Notas, no bairro Liberdade, região central da capital paulista, quem buscou o serviço foi orientado a voltar amanhã. No 14º Tabelião de Notas, em Pinheiros, mais de 40 pessoas passaram pelo local em busca de informações. (MT)
Após tanto tempo de espera, com a nova lei do divórcio, Ida e David levaram só um dia para concluir a assinatura dos papéis, que finalmente encerra o vínculo civil entre eles. "Chegamos aqui umas 10h30. Mas ainda tivemos que ir buscar a testemunha, uma amiga minha que trabalha aqui na região, e fomos almoçar", disse Ida. Às 15h30, o processo estava concluído.
Ida e David moraram juntos por seis anos e ficaram quase dois anos oficialmente casados. Separaram-se e mudaram de cidade, mas, no papel, continuavam marido e mulher.
David diz que os dois só não tinham se separado ainda por falta de dinheiro e por causa da burocracia. "Tínhamos que ir até Santa Isabel [SP] pra dar entrada no processo de separação, já que nossa certidão de casamento está lá. Só isso já impedia a gente de correr atrás da papelada. Sai caro, demora, e os dois trabalham", explica ele.
Ida reclamava dos inconvenientes de continuar "casada no papel". "Qualquer formulário que você preenche pede o nome do cônjuge, estado civil. Apesar de não ter mais nada com ele, tinha que colocar seu nome."
Ambos já estão envolvidos com outras pessoas, e David já teve até um filho, de 11 meses, com sua atual companheira, com quem vive há 3 anos. Ida mora com outro homem há dois anos e seis meses e não via a hora de separar-se oficialmente para poder se casar de novo. "Agora estamos os dois livres", comemora ela. "Arrastar isso por quatro anos é muito cansativo", diz.
"Se isso fosse há quatro anos, não poderíamos nem estar os dois na mesma sala. Até foi bom só acontecer agora", brincou David.
Tabeliães ainda não estão preparados
A procura ontem pelo serviço de divórcio ou separação nos cartórios de São Paulo era grande, mas poucas pessoas conseguiram usufruir do que determina a lei 11.441/07, que entrou em vigor no país na última sexta-feira.
De acordo com o presidente da seção paulista do Colégio Notarial do Brasil, Paulo Tupinambá Vampré, ainda não houve tempo hábil para que os tabeliães de notas se preparassem para atender a população segundo as novas determinações.
O motivo é justamente o curto espaço de tempo entre a sanção da nova lei (dia 4) e sua entrada em vigor, diz Vampré, um dos responsáveis pelo texto de regulamentação da lei -que foi divulgado apenas ontem, dirigido aos funcionários de cartórios.
Ontem, no 17º Tabelião de Notas, no bairro Liberdade, região central da capital paulista, quem buscou o serviço foi orientado a voltar amanhã. No 14º Tabelião de Notas, em Pinheiros, mais de 40 pessoas passaram pelo local em busca de informações. (MT)