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08 de Março de 2007

Modernização do Poder Judiciário paulista

O Tribunal de Justiça realizou ontem (6/3) mais um seminário sobre o projeto de modernização do Poder Judiciário paulista, desenvolvido com consultoria da Fundação Getúlio Vargas.

A primeira palestra, intitulada "A inovação no atendimento ao público no serviço Judiciário", foi ministrada pela professora de Sistemas Administrativos da Universidade Paulista e consultora da FGV, Vera Lúcia de Oliveira, para uma platéia de 120 diretores de cartórios da capital.

A professora afirmou que o atendimento é uma novidade para o setor público. As empresas privadas foram pioneiras e apresentam exemplos notáveis. Os órgãos públicos, embora retardatários, já apresentam casos muito importantes utilizando um novo modelo de atendimento ao público.

Para Vera Lúcia de Oliveira, o foco é a relação entre cliente e organização. O objetivo de qualquer instituição governamental é a prestação de serviços, que é feita através do atendimento ao público. O maior desafio é o trabalho com o público numeroso e variado, como é o caso dos servidores da Justiça paulista em que as soluções precisam ser aplicadas em escala industrial.

O novo modelo de atendimento visa um esforço corporativo sistemático, aplicações de soluções gerais padronizadas e abordagem técnica. Segundo a consultora, o atendimento ao público é um dos fatores determinantes da imagem do órgão prestador de serviço. Para satisfazer o cliente, é preciso ter, em primeiro lugar, uma compreensão profunda de suas necessidades e, em seguida, conhecer os processos de trabalho que possam atendê-las.

A busca do padrão de qualidade no atendimento ao público segue um modelo que compreende oito itens: ambiente (conforto, qualidade, instalações e segurança), comunicação visual, fontes internas de informação ao púbico, organização do espaço e locais de atendimento, atendentes e gestão de atendimento. Para se alcançar bons resultados, deve haver um trabalho planejado e administrado de maneira contínua e profissional.

A segunda palestra "Modernização do Instituto de Identificação IIRGD" foi realizada pelo delegado de polícia Carlos Antonio Guimarães de Sequeira.
O Instituto de Identificação IIRGD existe desde 1904 e sua principal função é a de gerir cadastros civil e criminal. Em 2006, o Instituto emitiu três milhões de carteiras de identidade, numa média de 11 mil carteiras por dia.

Em 1998, o IIRGD vivia um momento crítico. O governador Mário Covas queria implantar o Poupatempo, mas, internamente, a desorganização era tal, que impedia o trabalho. Instalações deterioradas, arquivos em situação de abandono, desaparecimento de prontuários, processos inseguros que levavam a emissões irregulares de carteiras de identidades, eram os principais problemas. Mudanças radicais eram necessárias.

O projeto de reorganização envolveu inicialmente reformas internas no prédio, para permitir melhores resultados. O arquivo de prontuários civis precisou ser refeito, com instalação do maior conjunto de estantes deslizantes da América do Sul. Criou-se espaço para arquivamento organizado de mais de 50 milhões de prontuários civis.

Este trabalho abriu espaço para a seguinte etapa, que foi a digitalização dos processos, o que facilitou mudanças internas. Mas para isso era necessária a aquisição de computadores - em 1998, o IIRGD tinha a mesma quantidade de computadores de dez anos antes.

Hoje, com o sucesso do trabalho, o IIRGD está finalizando a digitalização de todo o seu acervo civil e criminal. Já há mais de 70 milhões de imagens arquivadas, que serão acessíveis por toda a rede da Polícia Civil. As imagens já estão sendo usadas pela própria instituição para confronto a distância de impressões digitais.

Os seminários terão continuidade na capital paulista nos próximos dias 13 e 20 de março, sempre das 8 horas às 17 horas. O local também será o mesmo - o auditório do prédio dos gabinetes de desembargadores,na rua Conde de Sarzedas, nº 38.

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