Notícias
18 de Julho de 2007
Governo usa apenas metade dos recursos para quilombolas, aponta Inesc
Metade do recurso destinado a políticas públicas nas comunidades quilombolas
não foi efetivamente utilizada nos últimos três anos. É o que aponta
levantamento do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc).
De acordo com o estudo recém-concluído, entre 2004 e 2006, o governo federal
deixou de investir cerca de R$ 100,62 milhões na promoção dos direitos das
comunidades quilombolas e afrodescendentes. Estavam autorizados no orçamento
R$ 202,5 milhões.
Na avaliação do Inesc, a tendência de baixa execução orçamentária deve se
repetir este ano. Até 13 de junho, o governo havia gasto apenas 6,39% do
orçamento de 2007 para ações em favor dos moradores de comunidades
remanescentes de quilombo.
Os recursos para essa área são divididos em cinco grupos: gestão da política
de promoção da igualdade racial, cultura afro-brasileira, Programa Brasil
Quilombola, gestão da política de desenvolvimento agrário e comunidades
tradicionais.
O gargalo maior está no principal destino dos recursos: o Programa Brasil
Quilombola, que teve uma execução orçamentária ainda menor que a média
geral. Dos R$ 101,4 milhões previstos para as ações do programa entre 2004 e
2006, apenas 32,3% (R$ 32,84 milhões) foram realmente utilizados.
A análise do Inesc foi baseada nos programas e ações da Secretaria Especial
de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), do Ministério da
Cultura, do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), do Ministério da
Saúde, Ministério da Educação (MEC), Ministério do desenvolvimento Agrário
(MDA) e Ministério do Meio Ambiente (MMA).
De acordo com o assessor de Política Indígena e Socioambiental do Inesc,
Ricardo Verdum, há uma série de problemas como conflitos indígenas e
articulações políticas do governo que "dificultam" a execução dos orçamento.
"No Nordeste, por exemplo, é muito visível o não interesse da regularização
das terras. Os grandes fazendeiros e donos de terra não querem que as terras
sejam reconhecidas e tituladas", afirma Verdum.
"Quando existe mobilização de equipes do Incra [Instituto Nacional de
Colonização e Reforma Agrária] para identificação dos territórios, há muita
pressão [dos fazendeiros e latifundiários] para que nada seja feito. As
pessoas que tem interesses econômicos nos territórios tentam pressionar os
orgãos públicos para que nada seja feito."
Segundo o estudo do Inesc, dentro do Programa Brasil Quilombola, o
Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) responsável pela regularização
fundiária de terras para comunidades quilombolas, executou 20,93% dos R$
70,7 milhões disponíveis de 2004 a 2006. Deixaram de receber investimentos
integrais as atividades de reconhecimento, demarcação de terras, titulação e
indenização de ocupantes da terras demarcadas ou tituladas.
Ainda no âmbito do Programa Brasil Quilombola, o Ministério da Saúde
repassou apenas 36,83% dos recursos previstos de 2004 a 2006 para a atenção
à saúde das populações quilombolas. O Ministério da Educação repassou 62% do
orçamento, ou seja, R$ 4,2 milhões para ampliação da rede escolar,
distribuição de material didático e capacitação de professores.
No Brasil Quilombola, a área onde houve maior execução orçamentária foi a
que estava sob coordenação direta da Secretaria Especial de Política de
Promoção da Igualdade Racial (Seppir), que repassou 58% dos R$ 23,6 milhões
previstos para capacitação de agentes representativos das comunidades
quilombolas e fomento ao desenvolvimento local.
Nas outras áreas de investimento do governo nos quilombolas, os repasses
foram maiores. Na gestão da política de promoção da igualdade racial, foram
empregados R$ 36,8 milhões entre 2004 e 2006 - 74,2% do previsto
inicialmente. Na rubrica de cultura afro-brasileira, que inclui programas de
promoção e intercâmbio de eventos, foram R$ 26,4 milhões - 58,43% do orçado.
Para a gestão da política de desenvolvimento agrário, o governo repassou os
R$ 4 milhões previstos. Na área de comunidades tradicionais, em gestão
ambiental das terras quilombolas, 79,7% dos recursos (R$ 1,7 milhões)
chegaram a ser utilizados.
não foi efetivamente utilizada nos últimos três anos. É o que aponta
levantamento do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc).
De acordo com o estudo recém-concluído, entre 2004 e 2006, o governo federal
deixou de investir cerca de R$ 100,62 milhões na promoção dos direitos das
comunidades quilombolas e afrodescendentes. Estavam autorizados no orçamento
R$ 202,5 milhões.
Na avaliação do Inesc, a tendência de baixa execução orçamentária deve se
repetir este ano. Até 13 de junho, o governo havia gasto apenas 6,39% do
orçamento de 2007 para ações em favor dos moradores de comunidades
remanescentes de quilombo.
Os recursos para essa área são divididos em cinco grupos: gestão da política
de promoção da igualdade racial, cultura afro-brasileira, Programa Brasil
Quilombola, gestão da política de desenvolvimento agrário e comunidades
tradicionais.
O gargalo maior está no principal destino dos recursos: o Programa Brasil
Quilombola, que teve uma execução orçamentária ainda menor que a média
geral. Dos R$ 101,4 milhões previstos para as ações do programa entre 2004 e
2006, apenas 32,3% (R$ 32,84 milhões) foram realmente utilizados.
A análise do Inesc foi baseada nos programas e ações da Secretaria Especial
de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), do Ministério da
Cultura, do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), do Ministério da
Saúde, Ministério da Educação (MEC), Ministério do desenvolvimento Agrário
(MDA) e Ministério do Meio Ambiente (MMA).
De acordo com o assessor de Política Indígena e Socioambiental do Inesc,
Ricardo Verdum, há uma série de problemas como conflitos indígenas e
articulações políticas do governo que "dificultam" a execução dos orçamento.
"No Nordeste, por exemplo, é muito visível o não interesse da regularização
das terras. Os grandes fazendeiros e donos de terra não querem que as terras
sejam reconhecidas e tituladas", afirma Verdum.
"Quando existe mobilização de equipes do Incra [Instituto Nacional de
Colonização e Reforma Agrária] para identificação dos territórios, há muita
pressão [dos fazendeiros e latifundiários] para que nada seja feito. As
pessoas que tem interesses econômicos nos territórios tentam pressionar os
orgãos públicos para que nada seja feito."
Segundo o estudo do Inesc, dentro do Programa Brasil Quilombola, o
Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) responsável pela regularização
fundiária de terras para comunidades quilombolas, executou 20,93% dos R$
70,7 milhões disponíveis de 2004 a 2006. Deixaram de receber investimentos
integrais as atividades de reconhecimento, demarcação de terras, titulação e
indenização de ocupantes da terras demarcadas ou tituladas.
Ainda no âmbito do Programa Brasil Quilombola, o Ministério da Saúde
repassou apenas 36,83% dos recursos previstos de 2004 a 2006 para a atenção
à saúde das populações quilombolas. O Ministério da Educação repassou 62% do
orçamento, ou seja, R$ 4,2 milhões para ampliação da rede escolar,
distribuição de material didático e capacitação de professores.
No Brasil Quilombola, a área onde houve maior execução orçamentária foi a
que estava sob coordenação direta da Secretaria Especial de Política de
Promoção da Igualdade Racial (Seppir), que repassou 58% dos R$ 23,6 milhões
previstos para capacitação de agentes representativos das comunidades
quilombolas e fomento ao desenvolvimento local.
Nas outras áreas de investimento do governo nos quilombolas, os repasses
foram maiores. Na gestão da política de promoção da igualdade racial, foram
empregados R$ 36,8 milhões entre 2004 e 2006 - 74,2% do previsto
inicialmente. Na rubrica de cultura afro-brasileira, que inclui programas de
promoção e intercâmbio de eventos, foram R$ 26,4 milhões - 58,43% do orçado.
Para a gestão da política de desenvolvimento agrário, o governo repassou os
R$ 4 milhões previstos. Na área de comunidades tradicionais, em gestão
ambiental das terras quilombolas, 79,7% dos recursos (R$ 1,7 milhões)
chegaram a ser utilizados.