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22 de Abril de 2008

Desemprego provoca mais divórcios

Estudo realizado por economistas da Fundação Getúlio Vargas mostra que homens que perdem o emprego sofrem com a tendência de ficar sem a mulher

Além do coice, a queda. Os homens que ficam desempregados também têm maiores chances de perder a mulher. Foi isso que identificou o estudo Fatores econômicos e incidência de divórcios, realizado pelos economistas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que utilizaram dados extraídos da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) e das estatísticas do Registro Civil, ambas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"Percebemos que homens que perdem o emprego têm a tendência de também perder a mulher. Não sabemos se o fator emocional influi no dado, mas o fato é que a emancipação feminina ajuda a explicar o aumento dos divórcios. Mulheres mais educadas e de melhor renda têm uma tendência maior a largar o casamento", salientou o economista Maurício Pinheiro, da FGV. Ele explica que seu estudo teve como objetivo entender os fatores que levam os casais a se separarem. "É um fenômeno que vem crescendo. Em 2004, a média era de 35 divórcios para cada 1.000 casais, ou 0,35%. A tendência hoje é de aumento porque ainda temos estoques de casais mais velhos. Com a nova geração, o efeito será maior no futuro", previu.

O estudo abrangeu 21 Estados brasileiros baseando-se em informações dos anos entre 1992 e 2004. No período, a renda das mulheres casadas cresceu 58% em termos reais, enquanto que a taxa de divórcios aumentou 17% (de três divórcios por 1.000 casais para 3,5 por 1.000 casais). Apesar de a melhoria de vida das mulheres coincidir com o aumento do número de divórcios, a renda tem efeitos distintos entre as classes sociais. "Para as famílias de renda baixa, o aumento salarial da esposa desestabiliza a relação. Mas para as classes sociais de melhor nível de rendimento, o ganho feminino melhora a relação", comentou Pinheiro.

O estudo explica que os efeitos da renda feminina podem ser interpretados de formas distintas. Por um lado, mais dinheiro aumenta o bem-estar dos cônjuges no casamento, elevando a renda total do casal. Por outro lado, aumentaria a probabilidade de divórcios, na medida em que quando a diferença entre a renda dos cônjuges se reduz, a vantagem comparativa da mulher no trabalho doméstico em relação ao mercado de trabalho diminui, reduzindo o valor da especialização dentro do casamento. Por isso, nas rendas mais baixas a melhora social da mulher não é muito bem-vinda.

Outro fator que pode influenciar na estabilidade das relações conjugais é ter filhos. Os resultados indicam que, se houver um aumento de 1% na proporção de casais com filhos pequenos, diminui-se em 0,20% a incidência de divórcios. Com isso, conclui-se que os filhos pequenos têm efeito estabilizador no casamento. Em contrapartida, o aumento no desemprego entre homens tende a desestabilizar o casamento. Além disso, tal como em outros países, a vida em áreas urbanas e metropolitanas também no Brasil tende a aumentar a incidência de divórcios (provavelmente pela exposição da mulher ao mercado de trabalho).

Diferenças raciais e de idade não apresentaram impacto significativo, mas foram igualmente estudadas. "Comparando-se com os casais dos Estados Unidos, as relações inter-raciais no Brasil tendem a ser mais duradouras", disse Pinheiro.

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