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16 de Junho de 2008

A Indústria dos Casamentos chega a movimentar R$ 3,7 bilhões por ano no País

A indústria do casamento não tem do que se queixar. Mesmo com base em dados extra-oficiais, os negócios que envolvem o caminho até o altar crescem vertiginosamente no Brasil e já chegam a movimentar R$ 3,7 bilhões por ano. Só no Rio, que representa entre 11% e 12% do total de casórios realizados no país, gira em torno R$ 444 milhões no mesmo período. Além disso, de acordo com especialistas, o custo de casar é de, no mínimo, R$ 35 mil e supera o valor de um carro popular zero quilômetro.

Os números, no entanto, são estimativas de especialistas e empresários do setor. Como não existe uma associação para gerir toda a cadeia, as feiras e os eventos reúnem informalmente dados e estatísticas deste segmento.

De acordo com o diretor geral da Expo Noivas & Festas RJ, que está na 45ª edição, José Luiz de Carvalho Cesar, o problema de não ter uma instituição específica para medir o setor deve-se ao fato de as empresas que atuam no segmento desempenharem atividades distintas e o único interesse em comum, entre eles, acaba sendo só a noiva. Além disso, reforça Carvalho, o setor gera uma enormidade de empregos formais e informais por ano.

'A cada novo evento, dependendo do tamanho da festa, as empresas contratam um exército de freelancers para suprir a demanda', explicou Carvalho. 'É muito parecido com restaurantes e shoppings, que contratam temporários em datas importantes.'

A estabilidade da moeda foi a principal causadora do 'boom' de casamentos no Brasil, que hoje não se restringe às primeiras uniões. Casais mais velhos também formam uma clientela disposta a gastar, seja para comemorar bodas ou para oficializar uma união extra-oficial.

Estas uniões, no entanto, não são contabilizadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que apenas registra os matrimônios oficiais. Em 2006, o IBGE contabilizou 900 mil casamentos no Brasil, um aumento de 6,5% em relação ao ano anterior.

A pesquisa do IBGE também ressalta o número de casais formados por mulheres mais velhas que homens, cuja variação foi de 36% em apenas 10 anos (de 1996 a 2006), um aumento de 5,6 milhões para 7,6 milhões de casais.

O presidente da Associação dos Notários e Registradores do Brasil (Anoreg), Rogério Bacelar, concorda. O número de casamentos tem aumentado a cada ano e maio é disparado o mês campeão de escolha dos brasileiros. Setembro vem em segundo lugar. 'O número de registros oficiais no Rio chega a 3 mil por mês', revelou Bacelar.

Na Villa Riso, em São Conrado, um casamento para 200 pessoas custa perto de R$ 30 mil, apenas pelo aluguel da casa, coquetel, jantar com sobremesa e bebidas não-alcoólicas. O cliente ainda terá de arcar com gastos com roupas, fotógrafo, igreja, lua-de-mel, entre outros. 'O evento tem de ser memorável, por isso somos bastante rigorosos', relatou Cesarina Riso, a proprietária da casa, há 28 anos no ramo.

'O valor não tem a menor importância. Caro é quando não se tem dinheiro no bolso para pagar', avaliou Carvalho, da Expo Noivas & Festas RJ. A cerimonialista Regina Fernandes, da RD Cerimonial, concorda. Seus clientes procuram por serviços e locais tradicionais, como as igrejas Nossa Senhora de Bonsucesso ou Candelária, ambas no Centro. 'De cara, o cliente já paga R$ 2.500 para casar na igreja de Bonsucesso. Com flores e decoração gasta-se, pelo menos, R$ 5 mil', diz Regina.

Além disso, 'quanto mais gente, mais serviço, mais bufê'. Fora os extras que também encarecem o custo final. É o caso do fotógrafo Aszmann. Requisitado, o profissional costuma cobrar R$ 5 mil por um álbum de fotos. Outro capricho, porém o item mais importante da festa, é o vestido de noiva. O modelo francês, de Beatriz Amaral, é de primeira locação na loja Tutti Sposa, e custa R$ 3,5 mil. Já o véu, modelo espanhol, pode ser alugado por R$ 1,5 mil. Nos primeiros aluguéis, a grinalda está incluída, no entanto, o preço nas segundas locações chega a R$ 350.

Revista 'SIM!'

Para atender o filão de casamentos, a Editora JB lançará a revista SIM!. Publicação de 200 páginas - 'pode até passar um pouco mais por causa da resposta publicitária', diz a editora Iesa Rodrigues - a revista vai englobar um pouco de tudo, do sonho à realidade. O conteúdo contempla produções oficiais, de casamentos reais, totalmente autorizadas pelos casais e feitas por fotógrafos de casamentos. Além da vida real, Iesa conta que a publicação também incluirá ensaios de moda e produções para sugerir figurinos de noivas e noivos, madrinhas e padrinhos.

'A revista vai, em princípio, atender o circuito carioca, e os casamentos tradicionais estão super em voga', assinalou a editora.

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