Notícias

19 de Março de 2009

Aos 78, mulher consegue registro em Ribeirão Preto

Ivone Olímpio Thomaz recebeu ontem documentos e poderá melhorar renda

Terminou um drama que durava 78 anos. O primeiro cartório de pessoas naturais emitiu, no dia 17.03, a certidão de nascimento de Ivone Olímpio Thomaz, que até então não existia aos olhos das autoridades brasileiras. O documento foi entregue ontem pela Secretaria de Assistência Social.

Ivone mora com o companheiro, Geraldo Finoti da Silva há 25 anos em uma casa na Rua Rio Formoso, no Ipiranga. Desde que se mudaram para o local, o casal não teve acesso a banho quente, luz ou mesmo televisão. Mas é a falta do documento que mais a incomodava. "Agora não vou ser mais enterrada em Bonfim", diz em um fio de voz - Ivone teve um AVC que prejudicou sua fala e movimentação.

Além de realizar o sonho de Ivone, a certidão de nascimento terá um efeito prático na vida do casal. Hoje, a única renda de ambos é a aposentadoria que Geraldo recebe, no valor de R$ 450. Agora, com o registro de Ivone, o casal será inserido em um projeto social do governo e a renda deve dobrar.

Mas a cidadania não foi a única coisa que mudou na vida de Ivone. Ela e Geraldo viviam em um terreno de 25 por oito metros. A casa, de oitenta metros quadrados, tinha um dos dois cômodos cimentado, a maior parte da construção era de terra batida. Como não havia luz, a única forma de iluminar o ambiente era um lampião, que funciona a querosene.

Há três semanas, o drama do casal foi levado a um programa de rádio e depois divulgado pela imprensa. A partir de então, o que se viu foi uma verdadeira revolução. Os dois cômodos da casa já foram rebocados e o chão, na parte interior, é todo de cimento. A luz elétrica foi instalada na última segunda-feira. A parte elétrica da casa foi instalada e o casal recebeu uma televisão de 22 polegadas. Ivone e Geraldo ganharam também colchão, cama, liquidificador, armários, sofá, venezianas, vitrôs e telhas. Os eletrodomésticos esperam o fim da reforma para serem instalados. A expectativa dos pedreiros que trabalham - voluntariamente - nas reformas é que o banheiro, o último cômodo que precisa ser arrumado, esteja pronto até amanhã.

José Ramos, pedreiro voluntário, emociona-se ao comentar. "É uma felicidade muito grande para todos nós", diz.

Assine nossa newsletter