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22 de Março de 2004
Clipping - Correio Braziliense - Um homem em busca da identidade
Programador de rádio ganha autorização de juiz para escolher novo nome e sobrenome
Edson Rafael dos Santos depende apenas de uma audiência na Justiça. Quando esse dia chegar, será como um nascimento. Ele passará a se chamar Hezrom Franklin de Lima. E, assim, vai virar a primeira página de um drama iniciado na época em que ainda era um adolescente órfão e lhe entregaram uma certidão de nascimento - na verdade, a segunda via. Por muitos anos, o rapaz acreditou ser a pessoa descrita naquele pedaço de papel, até descobrir o contrário. E o pior: constatar também que desconhecia por completo suas raízes.
Numa audiência em dezembro, o juiz da Vara de Registros Públicos de Brasília, Paulo Eduardo Nori Mortari, determinou que Edson escolhesse o novo nome. O processo está no Ministério Público, para alegações finais. Ao retornar à Vara de Registros, será marcada a audiência. ""Vou ter o meu próprio nome"", comemora o futuro Hezrom, programador de emissora de rádio e noivo há dois anos da estudante Maria de Fátima Tavares, 22.
Desde 2002, ele luta na Justiça pela mudança. O que não preencherá o vácuo existente desde o momento em que foi abandonado, não se sabe por quem, em uma creche a 30km de Goiânia, quando tinha apenas 2 anos de idade. Ainda não sabe quem são seus pais e avós, mas o novo nome resolverá de imediato um pesadelo: usar o nome Edson Rafael dos Santos, pertencente a outra pessoa, nascida na mesma época, também na capital goiana. Para a Justiça, ainda é um mistério como a certidão de nascimento de Edson chegou às mãos do órfão.
Sem se conhecer, os dois compartilharam a mesma certidão até se tornarem adultos, quando, coincidentemente, mudaram-se para Brasília. Na hora do alistamento militar, o drama veio à tona. O Edson dono da certidão alistou-se primeiro. O outro, ao procurar o serviço militar, descobriu que o ""Edson"", filho dos pais que julgava serem dele e nascido no mesmo dia descrito na certidão que carregava no bolso, apresentara-se antes.
""De início, considerei tudo aquilo uma grande coincidência, mas ao tentar tirar outros documentos recebia a mesma resposta"", lembra o Edson que tenta mudar de nome. O problema não se resume à crise de identidade. Se um tiver dívida, por exemplo, o outro não pode comprar nada a crédito. O que está noivo não pode se casar porque o outro já é casado.
A mudança de nome é apenas o início da via-crúcis de Edson, o futuro Hezrom, história contada pelo Correio em maio do ano passado. ""Ele receberá um novo nome, mas continua sem saber quem é de fato"", comenta o advogado Renato dos Santos, responsável pelo caso na Vara de Registros Públicos de Brasília. Segundo o advogado, seu cliente terá direito de retirar todos os documentos com o nome de Hezrom.
Como não se conhece a data de seu nascimento, os documentos novos trarão, pelo menos por enquanto, o dia (10 de março de 1978) apontado na certidão que Edson sempre considerou ser a dele. O resultado do exame a que ele se submeteu para saber sua idade foi compatível. Edson, o Hezrom, tem entre 20 e 30 anos, mas não é possível precisá-la exatamente. No documento, não haverá menção à filiação.
Edson Rafael dos Santos depende apenas de uma audiência na Justiça. Quando esse dia chegar, será como um nascimento. Ele passará a se chamar Hezrom Franklin de Lima. E, assim, vai virar a primeira página de um drama iniciado na época em que ainda era um adolescente órfão e lhe entregaram uma certidão de nascimento - na verdade, a segunda via. Por muitos anos, o rapaz acreditou ser a pessoa descrita naquele pedaço de papel, até descobrir o contrário. E o pior: constatar também que desconhecia por completo suas raízes.
Numa audiência em dezembro, o juiz da Vara de Registros Públicos de Brasília, Paulo Eduardo Nori Mortari, determinou que Edson escolhesse o novo nome. O processo está no Ministério Público, para alegações finais. Ao retornar à Vara de Registros, será marcada a audiência. ""Vou ter o meu próprio nome"", comemora o futuro Hezrom, programador de emissora de rádio e noivo há dois anos da estudante Maria de Fátima Tavares, 22.
Desde 2002, ele luta na Justiça pela mudança. O que não preencherá o vácuo existente desde o momento em que foi abandonado, não se sabe por quem, em uma creche a 30km de Goiânia, quando tinha apenas 2 anos de idade. Ainda não sabe quem são seus pais e avós, mas o novo nome resolverá de imediato um pesadelo: usar o nome Edson Rafael dos Santos, pertencente a outra pessoa, nascida na mesma época, também na capital goiana. Para a Justiça, ainda é um mistério como a certidão de nascimento de Edson chegou às mãos do órfão.
Sem se conhecer, os dois compartilharam a mesma certidão até se tornarem adultos, quando, coincidentemente, mudaram-se para Brasília. Na hora do alistamento militar, o drama veio à tona. O Edson dono da certidão alistou-se primeiro. O outro, ao procurar o serviço militar, descobriu que o ""Edson"", filho dos pais que julgava serem dele e nascido no mesmo dia descrito na certidão que carregava no bolso, apresentara-se antes.
""De início, considerei tudo aquilo uma grande coincidência, mas ao tentar tirar outros documentos recebia a mesma resposta"", lembra o Edson que tenta mudar de nome. O problema não se resume à crise de identidade. Se um tiver dívida, por exemplo, o outro não pode comprar nada a crédito. O que está noivo não pode se casar porque o outro já é casado.
A mudança de nome é apenas o início da via-crúcis de Edson, o futuro Hezrom, história contada pelo Correio em maio do ano passado. ""Ele receberá um novo nome, mas continua sem saber quem é de fato"", comenta o advogado Renato dos Santos, responsável pelo caso na Vara de Registros Públicos de Brasília. Segundo o advogado, seu cliente terá direito de retirar todos os documentos com o nome de Hezrom.
Como não se conhece a data de seu nascimento, os documentos novos trarão, pelo menos por enquanto, o dia (10 de março de 1978) apontado na certidão que Edson sempre considerou ser a dele. O resultado do exame a que ele se submeteu para saber sua idade foi compatível. Edson, o Hezrom, tem entre 20 e 30 anos, mas não é possível precisá-la exatamente. No documento, não haverá menção à filiação.