Notícias

27 de Março de 2004

Clipping - Folha de São Paulo - Esquema informal dribla a burocracia

Cleusa, 46, dona de uma academia de ginástica em São Miguel, tem nove filhos adotivos, mas nunca enfrentou a burocracia dos fóruns. Ana, 37, dona de uma loja em um shopping, nem precisou entrar na fila de adoção para tornar-se mãe de um bebê.

Em ambos os casos, as crianças chegaram às mães adotivas pelas mãos dos pais biológicos. No caso de Cleusa, duas delas são um casal de irmãos e foram "dados" à comerciante pelo pai, um trabalhador rural, quando tinham dois e três anos. O pai alegou que a mãe das crianças havia fugido e que ele não tinha como educá-las.

Um terceiro bebê, um menino, foi deixado pela mãe na maternidade porque era fruto de uma relação extraconjugal. "Ela escondeu a barriga a gravidez toda. Teve o bebê e voltou para casa sem o marido saber", diz Cleusa.

Entre as teses que podem explicar a queda no número de adoções formais está a eventual proliferação de casos como esses.Cleusa e Ana, mais tarde, acabaram regularizando a situação dos filhos. Segundo a advogada Fábia Andréa Bevilaqua Valeiko, especializada em direito de família, os juízes costumam perdoar essas mães por entender que o importante é o bem-estar da criança.

Autor: Cláudia Colucci

Assine nossa newsletter