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27 de Março de 2004

Clipping - Folha de São Paulo - Número de adoções sofre redução de 19%

Levantamento feito pela Folha mostra que 5.654 crianças foram adotadas em 2003 em 14 Estados; média histórica é 6.970

O número de adoções no país está em queda. É isso o que evidenciam dados obtidos pela Folha nos Tribunais de Justiça e nas Varas de Infância e Juventude de 14 dos 26 Estados brasileiros.
No ano passado, o número de crianças adotadas por brasileiros e estrangeiros caiu 19% em comparação à média anual registrada no conjunto dessas unidades da federação -foram 5.654 casos em 2003 contra 6.970 na média histórica. Analisando os 14 Estados separadamente, a queda aparece em nove deles -que, juntos, concentram 91% das adoções.

Dos outros 12 Estados brasileiros, quatro informaram que não têm disponíveis estatísticas anuais -apenas o acumulado de processos- e oito não forneceram nenhum dado ao jornal.
A queda mais acentuada no número de crianças adotadas se deu em Santa Catarina, onde os dados de 2003 ficaram 51% abaixo da média dos últimos nove anos e são 72% menores do que os registrados em 1995, primeiro ano de estatísticas completas no Estado.

Em São Paulo, onde ocorreram 73% das adoções feitas formalmente no país em 2003, a curva também chama a atenção. O número passou de 7.165 em 1994 para 4.150 no ano passado -uma queda de 42% na comparação dos dois anos e de 19% em relação à média desse período.

Zona cinzenta

Classificados como "preocupantes" e "estarrecedores" por alguns profissionais da infância e juventude, ainda não se sabe exatamente de que fenômeno social esses dados são expressão.

Fala-se em preconceito e em falta de informação -o que pode inviabilizar que crianças e candidatos se achem entre os diferentes Estados brasileiros-, mas entre juízes, assistentes sociais, autoridades e pesquisadores não há nem sequer a convicção acerca do caráter positivo ou negativo da redução do número de adoções.
Por um lado, dizem os especialistas, a queda pode sugerir que as famílias estão mais assistidas, deixando de entregar suas crianças.
Por outro, completam os mesmos entrevistados, a falta de processos aprovados pode ser a maior evidência do descompasso entre as crianças que de fato são postas à adoção e os bebês que sonham os possíveis futuros pais.

Autor: Sílvia Corrêa

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