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28 de Abril de 2004
EUA ganham "Atlas de Gays e Lésbicas"
Mapeamento de casais homossexuais mostra que o número deles triplicou em dez anos e que eles estão espalhados pelo país
Há uma década, quando o demógrafo Gary Gates começou a pesquisar casais homossexuais nos EUA, o tema era relativamente novo. O censo de 1990 registrou menos de 150 mil residências, em todo o país, habitadas por casais não casados do mesmo sexo. As empresas americanas estavam apenas começando a oferecer benefícios aos parceiros domésticos de seus funcionários.
O setor do entretenimento ainda estava a anos de distância de "Will & Grace", "Queer as Folk" e outros programas de TV que focalizam personagens gays e lésbicas. Hoje os casais homossexuais já se tornaram muito mais comuns e aceitos e, ironicamente, estão no centro de uma disputa acirrada que marca este ano eleitoral americano.
A polêmica começou quando um tribunal do Massachusetts ratificou a legalidade de um casamento homossexual e cresceu quando autoridades municipais de cidades desde San Francisco até New Paltz, Estado de Nova York, começaram a desafiar as leis estaduais, presidindo sobre centenas de casamentos entre gays e lésbicas e levando o presidente George W. Bush a pedir uma emenda constitucional para proibir os casamentos.
Para Gates, que hoje trabalha para a organização de estudos Urban Institute, o tumulto veio em boa hora. No próximo mês, ele e um colega vão lançar o primeiro "Atlas de Gays e Lésbicas" do país, baseado em dados obtidos do censo de 2000.
O livro, que tem 242 páginas, aponta para a localização e as características de casais do mesmo sexo, chegando a detalhar seus códigos de endereçamento postal, raças e idades, fornecendo informações úteis não apenas para demógrafos, mas também para anunciantes, políticos e grupos de defesa de interesses especiais.
A descoberta que mais chama a atenção no livro é que 594.391 casais de pessoas do mesmo sexo foram contabilizados em 2000, três vezes o número registrado em 1990 (em nenhum dos dois recenseamentos foi anotada a orientação sexual das pessoas, mas ambos anotaram o sexo das pessoas que respondiam ao questionário e o de qualquer adulto que vivesse com elas). A porcentagem de casais homossexuais entre todas as famílias formadas por parceiros não casados subiu de 4,5% para 10,8% do total.
Gates desaconselhou as comparações diretas, porque algumas respostas foram contabilizadas de maneira diferente em 2000 e os casais homossexuais podem ter se sentido mais à vontade para revelar sua situação em 2000 do que em 1990.
Mesmo assim, o atlas revela algumas mudanças interessantes ocorridas nos EUA. Em 1990, 5% dos parceiros gays e 20% das lésbicas informaram ter filhos, contra 20% e mais de 30%, respectivamente, em 2000.
As famílias formadas por casais homossexuais contabilizadas em 2000 se espalham por uma área muito maior do que as de 1990 -aparecem em 99% dos condados americanos, contra 52% dez anos antes.
Fonte: Financial Times
Revista para pais gays faz sucesso no país
Quando Michelle Darné e sua parceira decidiram criar uma família, encontraram poucas respostas para suas perguntas.
"Tínhamos muitas dúvidas sobre como um casal de lésbicas pode ter filhos. Deveríamos adotar? Uma de nós deveria engravidar? Quais são nossos direitos legais? Onde fica o melhor banco de espermatozóides?", diz Darné.
Além de um boletim de oito páginas distribuído com periodicidade irregular, Darné conta que não encontrou nenhuma publicação que respondesse a essas perguntas. Então decidiram fazer a sua própria revista.
"Em minhas pesquisas em busca de informações, percebi que não estávamos sozinhas e vimos que havia um mercado inexplorado. Naquela altura, adiamos os planos para a família, tiramos US$ 250 mil de nossas economias e rezamos para que esse mercado não reconhecido e não atendido nos adotasse", afirma.
A aposta parece que está dando certo. Três anos depois, Darné e sua companheira, Kathleen Weiss, publicam a revista "And Baby". A cada dois meses sai uma nova edição, abordando temas de interesse para pais gays, lésbicas, bissexuais e transexuais.
Entre os recentes artigos, há "Compra de bonecas com pais gays" (deixe a criança escolher), "Meus filhos serão gays?" (dê apoio em caso afirmativo) e "Transição transexual: contando a seus filhos" (crianças menores aceitam mais rapidamente).
Darné e Weiss, que se conheceram há cinco anos por meio de uma amizade comum, agora também têm gêmeas de um ano: London e Morisot.
A tiragem da revista é de quase 100 mil cópias. Segundo as duas, há 11 mil assinantes, e as vendas em banca somam 3.000. O crescimento da publicação veio principalmente em resposta a uma estratégia de distribuição gratuita de exemplares nas maiores paradas gays do país e em festas gays e clubes para pais do mesmo sexo. "Sabíamos que 90% das pessoas em eventos de orgulho gay são leitores em potencial. Não tínhamos idéia de que estariam tão ansiosos por nossa revista", conta Darné.
No entanto, apesar da popularidade entre os leitores, os anunciantes mantiveram-se céticos. No começo, os anúncios eram de bancos de espermatozóides e agências de adoção, mas depois a revista chamou a atenção de empresas como IBM e Bridgestone, que também procuram atingir a população gay.
Um estudo feito em 2002 pela firma de marketing e relações públicas Witeck-Combs Communications estima que nos EUA 2,6 milhões de casais de gays ou lésbicas vivam em lares com crianças menores de 18 anos.
Fonte: New York Times
Há uma década, quando o demógrafo Gary Gates começou a pesquisar casais homossexuais nos EUA, o tema era relativamente novo. O censo de 1990 registrou menos de 150 mil residências, em todo o país, habitadas por casais não casados do mesmo sexo. As empresas americanas estavam apenas começando a oferecer benefícios aos parceiros domésticos de seus funcionários.
O setor do entretenimento ainda estava a anos de distância de "Will & Grace", "Queer as Folk" e outros programas de TV que focalizam personagens gays e lésbicas. Hoje os casais homossexuais já se tornaram muito mais comuns e aceitos e, ironicamente, estão no centro de uma disputa acirrada que marca este ano eleitoral americano.
A polêmica começou quando um tribunal do Massachusetts ratificou a legalidade de um casamento homossexual e cresceu quando autoridades municipais de cidades desde San Francisco até New Paltz, Estado de Nova York, começaram a desafiar as leis estaduais, presidindo sobre centenas de casamentos entre gays e lésbicas e levando o presidente George W. Bush a pedir uma emenda constitucional para proibir os casamentos.
Para Gates, que hoje trabalha para a organização de estudos Urban Institute, o tumulto veio em boa hora. No próximo mês, ele e um colega vão lançar o primeiro "Atlas de Gays e Lésbicas" do país, baseado em dados obtidos do censo de 2000.
O livro, que tem 242 páginas, aponta para a localização e as características de casais do mesmo sexo, chegando a detalhar seus códigos de endereçamento postal, raças e idades, fornecendo informações úteis não apenas para demógrafos, mas também para anunciantes, políticos e grupos de defesa de interesses especiais.
A descoberta que mais chama a atenção no livro é que 594.391 casais de pessoas do mesmo sexo foram contabilizados em 2000, três vezes o número registrado em 1990 (em nenhum dos dois recenseamentos foi anotada a orientação sexual das pessoas, mas ambos anotaram o sexo das pessoas que respondiam ao questionário e o de qualquer adulto que vivesse com elas). A porcentagem de casais homossexuais entre todas as famílias formadas por parceiros não casados subiu de 4,5% para 10,8% do total.
Gates desaconselhou as comparações diretas, porque algumas respostas foram contabilizadas de maneira diferente em 2000 e os casais homossexuais podem ter se sentido mais à vontade para revelar sua situação em 2000 do que em 1990.
Mesmo assim, o atlas revela algumas mudanças interessantes ocorridas nos EUA. Em 1990, 5% dos parceiros gays e 20% das lésbicas informaram ter filhos, contra 20% e mais de 30%, respectivamente, em 2000.
As famílias formadas por casais homossexuais contabilizadas em 2000 se espalham por uma área muito maior do que as de 1990 -aparecem em 99% dos condados americanos, contra 52% dez anos antes.
Fonte: Financial Times
Revista para pais gays faz sucesso no país
Quando Michelle Darné e sua parceira decidiram criar uma família, encontraram poucas respostas para suas perguntas.
"Tínhamos muitas dúvidas sobre como um casal de lésbicas pode ter filhos. Deveríamos adotar? Uma de nós deveria engravidar? Quais são nossos direitos legais? Onde fica o melhor banco de espermatozóides?", diz Darné.
Além de um boletim de oito páginas distribuído com periodicidade irregular, Darné conta que não encontrou nenhuma publicação que respondesse a essas perguntas. Então decidiram fazer a sua própria revista.
"Em minhas pesquisas em busca de informações, percebi que não estávamos sozinhas e vimos que havia um mercado inexplorado. Naquela altura, adiamos os planos para a família, tiramos US$ 250 mil de nossas economias e rezamos para que esse mercado não reconhecido e não atendido nos adotasse", afirma.
A aposta parece que está dando certo. Três anos depois, Darné e sua companheira, Kathleen Weiss, publicam a revista "And Baby". A cada dois meses sai uma nova edição, abordando temas de interesse para pais gays, lésbicas, bissexuais e transexuais.
Entre os recentes artigos, há "Compra de bonecas com pais gays" (deixe a criança escolher), "Meus filhos serão gays?" (dê apoio em caso afirmativo) e "Transição transexual: contando a seus filhos" (crianças menores aceitam mais rapidamente).
Darné e Weiss, que se conheceram há cinco anos por meio de uma amizade comum, agora também têm gêmeas de um ano: London e Morisot.
A tiragem da revista é de quase 100 mil cópias. Segundo as duas, há 11 mil assinantes, e as vendas em banca somam 3.000. O crescimento da publicação veio principalmente em resposta a uma estratégia de distribuição gratuita de exemplares nas maiores paradas gays do país e em festas gays e clubes para pais do mesmo sexo. "Sabíamos que 90% das pessoas em eventos de orgulho gay são leitores em potencial. Não tínhamos idéia de que estariam tão ansiosos por nossa revista", conta Darné.
No entanto, apesar da popularidade entre os leitores, os anunciantes mantiveram-se céticos. No começo, os anúncios eram de bancos de espermatozóides e agências de adoção, mas depois a revista chamou a atenção de empresas como IBM e Bridgestone, que também procuram atingir a população gay.
Um estudo feito em 2002 pela firma de marketing e relações públicas Witeck-Combs Communications estima que nos EUA 2,6 milhões de casais de gays ou lésbicas vivam em lares com crianças menores de 18 anos.
Fonte: New York Times