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Guia orienta aplicação do Formulário Rogéria e fortalece proteção a pessoas LGBTQIA+
Nesta quinta-feira (29/01), Dia Nacional da
Visibilidade Trans, o enfrentamento a todas as formas de violência contra
pessoas LGBTQIA+ ganhou um novo aliado com o lançamento do Guia
Interinstitucional para Aplicação do Formulário Rogéria.
O documento orienta a atuação integrada do sistema de Justiça, da segurança
pública e da rede de proteção em todo o país.
O objetivo é padronizar a aplicação e a interpretação
do Formulário de Registro de Ocorrência Geral de Emergência e Risco Iminente às
Pessoas LGBTQIA+ – Formulário Rogéria, contribuindo para respostas estatais
mais qualificadas, coordenadas e orientadas pela atuação interinstitucional. “A
iniciativa representa um marco na consolidação das políticas públicas de
enfrentamento à LGBTfobia e reafirma o compromisso com a dignidade humana, a
proteção integral e a efetivação dos direitos da população LGBTQIA+ em toda a
sua diversidade”, afirma a secretária-geral do CNJ, Clara Mota.
O guia está estruturado em quatro blocos temáticos que
facilitam o entendimento e a aplicação do instrumento: violência e violação de
direitos contra a população LGBTQIA+; avaliação e gestão de risco em casos de
violência; estrutura, aplicação e interpretação do Formulário Rogéria; e
articulação interinstitucional em rede.
O documento é resultado de acordo de cooperação
técnica firmado em 2024 entre o CNJ, o Conselho Nacional do Ministério Público
(CNMP), o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) e o Ministério
da Justiça e Segurança Pública (MJSP). Foi desenvolvido pelos programas Justiça
Plural e Justiça 4.0, parceria entre CNJ e Programa das Nações Unidas para o
Desenvolvimento (Pnud).
Rogéria Digital
Instituído pela Resolução CNJ 582/2024,
o Formulário Rogéria conta com aprimoramento técnico pelo Fórum Nacional de
Promoção dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+. Desde 2025, o documento também está
disponível em versão eletrônica (Portaria CNJ n. 288/2025),
desenvolvida no âmbito dos Programas Justiça 4.0 e Justiça Plural. O acesso é
pela Plataforma
Digital do Poder Judiciário (PDPJ-Br).
Ele pode ser aplicado por qualquer profissional que
realize atendimento a pessoas LGBTQIA+ em situação de violência, especialmente
no momento imediato da ocorrência. Entre os profissionais aptos a utilizar o
instrumento estão integrantes das Polícias Militar, Civil, Penal, Rodoviária e
Federal, além de profissionais da assistência social, da saúde, do Judiciário,
do Ministério Público e da Defensoria Pública.
Também podem aplicá-lo equipes de Centros de
Referência ou Casas de Cidadania LGBTQIA+, casas abrigo ou de passagem e
Centros de Referência Especializados para a População em Situação de Rua
(Centros Pop). Na ausência de profissional capacitado, o formulário pode ser
preenchido pela própria vítima.
Acesse o Manual
do(a) Usuário(a) do Formulário Rogéria eletrônico para
orientações detalhadas sobre o sistema.
Programa Justiça Plural
O Programa Justiça Plural teve início em 2024, fruto
de uma parceria entre o CNJ e o Pnud. Sob a coordenação da Secretaria-Geral do
CNJ, a iniciativa busca desenvolver estratégias voltadas ao amplo acesso à
Justiça de populações vulnerabilizadas, a partir de uma abordagem transversal e
consciente das barreiras estruturais que afetam esses grupos.
Programa Justiça 4.0
Iniciado em 2020, o Programa Justiça 4.0 é fruto de um
acordo de cooperação entre o CNJ e o Pnud, com apoio do Conselho da Justiça
Federal (CJF), do Superior Tribunal de Justiça (STJ), do Tribunal Superior do
Trabalho (TST), do Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT) e do
Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Seu objetivo é desenvolver e aprimorar
soluções tecnológicas para tornar os serviços oferecidos pela Justiça
brasileira mais eficientes, eficazes e acessíveis à população, além de otimizar
a gestão processual para magistrados, servidores, advogados e outros atores do
sistema de Justiça.
Fonte: CNJ